Com este livro didático e ilustrado da Série Ana Primavesi, a professora apresenta as plantas indicadoras de um solo vivo, rico em nutrientes, bem como os solos pobres, com deficiências de minerais e problemas de drenagem de água ou compactação do solo, entre outros problemas. Neste livro, Primavesi ensina, de modo simples e profundo, a observar a natureza e compreender os elementos que compõem a vida do solo. As chamadas “plantas invasadoras” são apenas as plantas que estão adaptadas ao solo e foram retiradas pelo manejo para agricultura. Sempre que possível, essas plantas voltarão a ocupar o solo em que viviam. Com elas, é possível saber como tratar as deficiências do solo para a produção agroecológica. Quando uma planta nativa aparece num lugar é porque todas as condições lhe são favoráveis. Milhares de sementes caem num metro quadrado de chão, somente algumas centenas conseguem nascer e somente poucas dezenas e até só poucos exemplares conseguem se desenvolver. Não depende somente da presença da semente que uma planta nasça, depende igualmente de micro-organismos, da riqueza ou pobreza química do solo, de suas condições físicas e aqui especialmente de crostas superficiais, do regime de ar e água, da insolação e do uso pelo homem e gado. Por isso fala-se de “ecótipos”. A planta nativa pode servir de “indicadora” porque acusa perfeitamente as condições do solo e do microambiente. Assim, barba-de-bode (Aristida pallens), capim cabeludo (Trachypogon spp) ou sapé (Imperata exaltata) são plantas típicas de solos periodicamente queimados, muito ácidos, pobres em cálcio e fósforo e com regime hídrico alterado. Capim-seda (Cynodon dactylon) indica solos muito compactados e samambaias solos com teor elevado de alumínio trocável. Todos os capins do tipo Andropogon, como rabo-de-burro, rabo-de-coelho, capim-caninha etc, indicam solos pobres com problemas de drenagem. E assim cada lugar pode ser identificado pela vegetação ali existente. Na agricultura não se pergunta que planta poderia crescer espontaneamente neste terreno. Impõe-se a cultura, defendendo-a com todos os meios contra a vegetação nativa, que sempre voltará a invadir o campo que lhe é próprio. Os “ecótipos”(eco-lugar) tornam-se invasores, até o momento em que se elimine a característica de solo que a favoreçam, o que, geralmente, favorece a cultura agrícola principal.
Algumas plantas indicadoras: (Série Ana Primavesi) - Como reconhecer as características limitantes de um solo
Ana Primavesi
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Ana Primavesi
Foi uma das pioneiras na preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de maneira integrada com o meio ambiente. Suas pesquisas apontam para uma agricultura que privilegie a atividade biológica do solo com um alto teor de matéria orgânica, evitando o revolvimento do mesmo, e substituindo o uso de de insumos químicos pela aplicação de técnicas como a da adubação verde, controle biológico de pragas, entre outros. A compreensão do solo como um organismo vivo e com diversos níveis de interação com a planta foi uma das contribuições de Primavesi para a agronomia. Foi professora da Universidade Federal de Santa Maria , onde contribuiu para a organização do primeiro curso de pós-graduação voltado para a agricultura orgânica. Aposentada, tocou por muitos anos sua própria propriedade agrícola em Itaí, no estado de São Paulo, onde colocou em prática os conceitos da agricultura orgânica. Foi também fundadora da Associação da Agricultura Orgânica (AAO), uma das primeiras associações de produtores orgânicos do Brasil.[4] Seu livro "Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais" é considerado uma obra de referência nas ciências agrárias. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios, como o One World Award da IFOAM, em 2012, além de títulos Doctor honoris causa em diversas universidades brasileiras. Em sua homenagem, o Centro Acadêmico de Agroecologia na UFSCar, inaugurado em 2010, leva o seu nome. Ana Primavesi publicou 94 artigos científicos no Brasil e em revistas internacionais. Além disso, escreveu 11 livros e colaborou em inúmeras outros publicações. Seu trabalho de maior influência é o seu livro "Manejo Ecológico do Solo" que revolucionou a agricultura ecológica tropical na América Latina. O livro postula que um solo saudável é o pré-requisito para plantas saudáveis é o pré-requisito para plantas saudáveis, que por sua vez, vão contribuir para a saúde dos homens. Neste livro ela salienta a importância de restabelecer o equilíbrio entre o solo, organismos do solo, plantas, animais e seres humanos. Além disso, a proteção da estrutura dos pequenos agricultores, assim como o seu destino e sua cultura foram sempre grandes preocupações de Ana Primavesi. Ao longo dos anos ela se manteve fiel aos princípios do seu trabalho, regenerando terra para produção de alimentos e também olhando criticamente a prática da agricultura. Foi co-fundadora de várias organizações como a AAO (Associação de Agricultura Orgânica) e do MAELA (Movimiento Agroecológico Latinoamericano). Desempenhou um papel fundamental na construção da IFOAM na América Latina. Até hoje, com a idade de 92 anos, Ana Primavesi permanece ativa e ainda compartilha seu amplo conhecimento e seu comprometimento com os outros, também em novos meios de comunicação, como blogs na internet e plataformas do Youtube. Ana é membro honorário de numerosos movimentos ecológicos e tem recebdo muitos prêmios, entre eles o prêmio do Ministério da Agricultura brasileiro. O prêmio do MAELA, que é concedido a cada dois anos tem seu nome – "Ana Primavesi Award". Pelo seu extenso conhecimento, o seu talento para inspirar pessoas, suas idéias inovadoras, suas ações decisivas e suas ações decisivas e suas explicações espirituosas, ela teve uma enorme influência no movimento orgânico da América Latina, e portanto, pertence aos pioneiros globais da agricultura orgânica.


