Em A Entidade, temos basicamente três diferentes pontos de vista que são suficientemente desenvolvidos e fundamentados para serem racionalmente aceitos por quem lê.
Em primeiro plano, temos Carlotta, a protagonista que flutua em suas próprias experiências e que também é pesadamente influenciada pelos dois outros focos do livro: A mentalidade tradicional acadêmica - um grupo de psiquiatras que analisa e tenta ajudar a paciente de todas as formas possíveis dentro do campo da medicina. A pesquisa paranormal - um grupo de parapsicólogos que observa os mesmos fenômenos e tenta quantificá-los para uma aproximação racional.
Qual dos dois está certo é justamente a grande sacada de Felitta, que embora penda para a paranormalidade, em nenhum momento deixa de apresentar os três lados da questão. De uma forma razoável, ele simula na história a posição atual.
Até hoje a psicologia é encarada com reservas, não sendo considerada por muitos como uma ciência "de verdade", pois a mente humana é mais do que complexa, ainda não é possível definir o que é consciência se não pela contraposição, ou seja, "o que não é". Assim também com a parapsicologia, que falha na mais básica premissa científica: a reprodução de resultados em laboratório.
... E Felitta demonstra isso no livro, fazendo da personagem um joguete na mão dos acadêmicos e ainda narrando todos os problemas emocionais, familiares e sociais que as ditas vítimas de doenças psicológicas ou fenômenos paranormais relatam sofrer.
Recomendo.