Poesia Completa -

    Murilo Mendes

    Companhia das Letras
    2025
    904 páginas
    1d 6h 8m
    ISBN-13: 9788535934380
    Português Brasileiro

    A obra poética completa de um dos principais nomes da literatura brasileira do século XX pela primeira vez reunida... 'O poeta abre seu arquivo - o mundo - E vai retirando dele alegria e sofrimento Para que todas as coisas passando pelo seu coração Sejam reajustadas na unidade' escreve Murilo Mendes em "Ofício humano". Ao costurar referências à música, à pintura, à dança e ao cinema, o poeta não se deixa limitar pela moldura do verso e busca unir todas as artes em um projeto poético radical e ambicioso. Para além das alusões ao universo cultural, sua produção estabelece um diálogo constante com as marcas do seu próprio tempo. Há desejo, erotismo, vida, morte, terra e céu, carne e espírito - mas há também conflitos sociais, guerra, miséria. Nessa profusão de imagens, surge ainda o interesse pelas vanguardas, pelo mítico e pela religião, numa obra capaz de ampliar os sentidos e derrubar aparentes contradições. Este volume, que reúne a poesia completa de uma das vozes mais notáveis da literatura brasileira do século XX, abarca desde POEMAS (1930), seu livro de estreia, até CONVERSA PORTÁTIL (1975), e inclui ainda dois volumes escritos em língua estrangeira e que permaneciam inéditos em português: HIPÓTESES (1968), traduzido do italiano por Maurício Santana Dias, e PAPÉIS (1931-74), traduzido do francês por Júlio Castañon Guimarães. Para encerrar, há ensaios inéditos assinados por Davi Arrigucci Jr., Murilo Marcondes de Moura e Júlio Castañon Guimarães, além de cronologia e bibliografias do autor e sobre ele. Eis aqui a obra fascinante e atemporal de um escritor que fez da experimentação o seu mote. MURILO MENDES (1901-1975) estreou com Poemas, em 1930. Festejado por Mário de Andrade como 'historicamente o mais importante dos livros do ano', e se consagrou como uma das principais vozes do modernismo brasileiro. Do autor, a Companhia das Letras publicou o irreverente livro de memórias 'A idade do serrote', a prosa inventiva de 'Poliedro' e 'Poesia completa'.

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    Arsenio Meira25/08/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Cantiga de Malazarte Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo, ando debaixo da pele e sacudo os sonhos. Não desprezo nada que tenha visto, todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola. Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos, destelho as casas penduradas na terra, tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando. Desloco as consciências, a rua estala com os meus passos, e ando nos quatro cantos da vida. Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido, não posso amar ninguém porque sou o amor, tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos e a pedir desculpas ao mendigo. Sou o espírito que assiste à Criação e que bole em todas as almas que encontra. Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo. Nada me fixa nos caminhos do mundo." MURILO MENDES

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