O Adversário -

    Maurício Limeira

    Epopeia Editora
    2025
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9786598577445
    Português Brasileiro

    Rio de Janeiro, década de 1990. Um jornalista vê sua rotina se transformar em um pesadelo quando se envolve em uma trama perigosa que coloca sua vida em risco. Perseguido por forças que não compreende completamente, ele se vê preso em um labirinto de medo, conspirações e ameaças visíveis e invisíveis. À medida que busca respostas, sua paranoia cresce e a linha entre realidade e delírio começa a se desfazer. Quem está à espreita nas sombras? Até onde ele pode ir para sobreviver?

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    Maurício Limeira dos Santos13/05/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Adversário (Livro) - Resenha de Fernando Ticon

    Em “O Adversário”, primeiro romance do escritor Maurício Limeira, somos transportados para um Rio de Janeiro cinzento e despido de superficialidades, que o deram título de cidade maravilhosa. É pelos lados mais obscuros da sociedade carioca que rasteja um mal muito mais engenhoso do que aquele estampado nas capas de jornais. Publicado de forma independente em 2014, o livro explora o terror psicológico e sobrenatural num ambiente urbano contemporâneo. Ele segue os passos de José Carlos, um jornalista em busca de vingança pelo assassinato de sua namorada, e acaba se metendo num submundo muito maior e mais perturbador do que poderia imaginar. Apelidado de Zeca quando criança, o protagonista contrata os serviços do assassino de aluguel chamado Casemiro, que tem o status de ser um agente do além, uma lenda, cheio de poderes sobrenaturais. Zeca ainda não sabe o preço a ser pago por tal serviço, e muito menos o mistério por trás de Casemiro, que passa a assombrá-lo. A história se desdobra entre zona sul, periferia e favelas do Rio de Janeiro, mostrando uma ótima utilização do espaço urbano carioca, sem nunca largar a percepção perturbada e cheia de adjetivos do interlocutor. Expressividade que deixa a leitura um pouco cansativa nos capítulos mais calmos e explicativos, mas poderosa ao ilustrar as passagens mais sombrias da trama. O caminho entre José Carlos e Casemiro passa por personagens com papeis bem definidos, mas não tão bem explorados como os antagonistas, fazendo questionar a motivação de determinadas escolhas. Certas vezes se espera pela justificativa nas próximas páginas, que não chega. Já no campo da simbologia religiosa e oculta, os elementos são expostos de forma interessante ao misturar referências culturais com uma visão mais autoral. O que existe além da vida e da percepção humana é comumente expandido, sempre utilizando uma posição individualista como referência. Infelizmente, isso acaba se contrastando com a grandiosidade e o caráter coletivo das consequências que são expostas na reta final do livro. O autor possui uma linguagem bastante amadurecida para o formato, com ótimas construções de diálogo e descrição de ambientes. As cenas de horror são bastante vívidas, brutais e sem censura. Somos constantemente transportados pela linha temporal da história, que transita entre presente e passado, realidade e ilusão. Nisso pode-se confundir a utilização de tempos verbais não muito amigáveis, como parágrafos inteiros no futuro do pretérito, e mudanças de primeira para terceira pessoa entre cenas, apesar dos excelentes ganchos que prendem o leitor capítulo a capítulo. O final é menos satisfatório do que a jornada, pois existe uma certa descaracterização de quem aprendemos a encarar como vilão. O desejo pelo poder nunca teve uma motivação baseada em fatos e acontecimentos além da sua inclinação natural, e sua voz se transforma em algo incompatível com o que foi apresentado até o momento. Toda a construção criada pela ambição individual e a busca pelo poder se transforma, levando as consequências para um alvo muito maior que estava ausente até o momento. Uma sociedade comum que não participou da história tanto quanto o individualismo dos personagens, mas que agora é um alvo grande o suficiente para conter uma maior diversidade, mantendo a nossa curiosidade ao virar a última página. Como primeira obra, “O Adversário” é uma excelente entrada na carreira do autor, trazendo o terror contemporâneo para um lado obscuro do ambiente urbano. É perceptível a necessidade de uma revisão mais técnica da obra, e o desprendimento do formato “10 páginas por capítulo” que cria uma certa previsibilidade (e obrigação de parágrafos).

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