Os policias, até então coadjuvantes nas histórias em quadrinhos do Batman, ganham status de protagonistas nesta série mensal lançada nos EUA. Uma garotinha desaparecida leva os policiais Marcus Driver e Charlie Fields a baterem de frente com um dos piores criminosos da cidade: o Sr. Frio. Fields é morto pelo vilão, mas Driver é deixado vivo. Para ele, é questão de honra prender o sujeito sem a ajuda do Batman. Todo Departamento de Polícia de Gotham passa a trabalhar no caso, para resolvê-lo antes do pôr-do-sol e sem ajuda do morcego.
DC Especial #5 - Gotham City - Contra o crime
Ed Brubaker, Greg Rucka (roteiro), Michael Lark (arte), Noelle Giddings (cores)
Edições (1)
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Todos conhecem o Batman, o lendário Cavaleiro das Trevas que instiga o medo nos corações dos criminosos covardes e supersticiosos. Trata-se de uma lenda urbana que diariamente combate o crime e a injustiça. Mas paremos para pensar um pouco: por que o Batman tem tanto trabalho para varrer Gotham City do mal? Por que ele precisa até mesmo de vários ajudantes como Robin, Asa Noturna, Batgirl entre outros para auxiliá-lo em sua cruzada? A impressão que se tem é de que, com exceção do Comissário Gordon, existem apenas policiais corruptos em Gotham. Afinal, onde está e o que faz a polícia da cidade? Quem são os oficiais da lei que vivem à sombra do homem-morcego? É exatamente este o tema explorado por Ed Brubaker e Greg Rucka em Gotham City contra o crime. Lançada no mês de março pela Panini Comics, Gotham City contra o crime é a quinta edição de DC Especial, um encadernado com histórias variadas lançada bimestralmente pela editora. Este número reúne as cinco primeiras edições de Gotham Central (título original de Gotham City contra o crime), uma série regular nos States, que narra o dia-a-dia dos policiais da cidade. Lá fora, a série é aclamada por público e crítica. Mas afinal, o que a série tem de tão especial? A primeira vez que ouvi falar do título pensei em algo como um “CSI num universo de super-heróis”. Exagerei. Não é para tanto, mas a grande sacada é mostrar personagens humanos enfrentado problemas corriqueiros como seqüestros e assassinatos. Nenhum dos personagens da série é o melhor do detetive do mundo ou um artista marcial que conhece todos os tipos de lutas existentes. São oficiais da lei que existem para servir e proteger. Porém, além dos problemas mais comuns, tem de enfrentar também lunáticos da estirpe de um Senhor Frio ou Incendiário. Outra grande idéia é que o personagem protagonista, pelo menos neste primeiro arco de histórias presente nas bancas, é o Detetive Marcus Driver, um policial que tem seu parceiro morto pelo Senhor Frio nas primeiras páginas da revista. Driver acha humilhante ligar o bat-sinal e considera o Batman tão maluco quanto as aberrações que enfrenta. Verdade seja dita: ser policial na mesma cidade que tem um cara que se veste de morcego durante a noite para esmurrar bandidos é muuuito estranho. A série humaniza um universo de super-heróis e nos oferece outra visão sobre a cidade defendida pelo Cavaleiro das Trevas: Gotham é uma cidade com um índice de criminalidade muito alto que, para piorar, ainda conta com supercriminosos. Ou seja, quanto mais gente, vigilantes mascarados ou não, para fazer algo à favor da metrópole, tanto melhor! Brubaker e Rucka exploram aspectos diversos de uma mesma situação. Enquanto Driver é totalmente contra o vigilantismo do Batman, há outros policias que declaradamente sentem-se confortáveis com a presença de uma pessoa que faça todo o trabalho por eles(!). Além do Detetive Driver, a Unidade de Crimes Hediondos de Gotham City conta com os esforços da capitã Maggie Sawyer, velha conhecida das histórias do Superman; Tenente Probson, Detetives Crispus Allen, Nate Patton, Renee Montoya, que teve um relacionamento com Harvey Dent antes de este tornar-se o Duas-Caras; a carateca faixa preta Romy Chandler e o Sargento Jackson Davies. O interessante é que os roteiristas se atentaram para todos os detalhes. Por exemplo, uma das personagens secundárias das histórias é Stacy, uma funcionária cedida por uma entidade civil ao departamento de polícia para ligar o bat-sinal. Ela é a única pessoa do departamento que pode fazer isso para não indicar que a polícia da cidade aprova os serviços do Batman. A arte de Michael Lark é satisfatória para este trabalho porque seu talento é mostrar cenários com detalhes (como a delegacia de polícia) e dramas humanos (seres humanos mortos por supervilões) ao invés de cenas cinematográficas em páginas duplas com super-heróis voando com morcegos ao fundo ao estilo Image Comics. Particularmente, achei que a Panini fez um ótimo trabalho trazendo uma amostra deste material para o Brasil. Optou-se por uma edição especial por falta de espaço em uma revista regular. Ok. Porém, acho que poderiam ter selecionado melhor o conteúdo. As histórias apresentadas são boas e demonstram que a série é muito promissora (por tratarem-se dos primeiros números), mas não é ótima. E não acho que valha os 14 reais de capa. Talvez devessem ter optado por um formato de publicação mais acessível ou uma seleção das melhores e não das primeiras histórias. De qualquer forma, fica aqui o convite para a leitura de um material de quadrinhos comercial que explora um caminho mais alternativo dentro de seu próprio universo. Enfim, um material bem distinto de seus pares nas bancas de jornal.
Estatísticas
Avaliações
3.9 / 21- 5 estrelas43%
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