À sombra das moças em flor: À procura do tempo perdido, vol. 2 (eBook) - Marcel Proust

    Autor desconhecido

    Companhia das Letras
    2022
    704 páginas
    23h 28m
    Português Brasileiro

    Publicado pela primeira vez em 1919, À sombra das moças em flor é o segundo dos sete volumes que compõem o romance À procura do tempo perdido e aquele que rendeu a Marcel Proust o prêmio Goncourt. Ambientado em Paris e na praia imaginária de Balbec, na Normandia, o livro trata da adolescência e do amor juvenil — desde a relação do Narrador com Gilberte Swann até a descoberta de um novo universo de sensações e seu deslumbramento pelas moças que dão título ao romance. É ainda nessas páginas que são introduzidos outros personagens decisivos, como Albertine, Robert de Saint-Loup e o barão de Charlus. De acordo com Rosa Freire d'Aguiar, que assina a tradução, a introdução e as notas desta edição, a obra "revela um observador excepcional que desmonta as engrenagens de todos os aspectos de nossa vida, impressões e emoções, palavras e gestos, cheiros e suspiros."

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    A. Brito11/08/2021Resenhou um livro
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    Proust - À sombra das jovens em flor

    O narrador deste livro é uma enciclopédia de ideias, juízos, intuições. Todo o livro é escrito, não só sobre a égide da memória, como o próprio autor afirma, mas também sob a égide da intuição criativa. Em cada linha há uma análise, um aparte, um dito de uma profundidade e de uma verdade quase inimagináveis., analista da vida em sociedade, parece ver cada pormenor ao microscópio, e com um balança em cada mão, rindo do modo como cada um valoriza a sua pessoa, a sua palavra, o seu estatuto, observa a diferença entre o estatuto real e o estatuto imaginado de cada um, a forma como cada um se integra na sua classe social, conhece o que sente um jovem, uma jovem, analisa a forma como cada um se comporta na vida em sociedade, o modo como o coração muda, insensivelmente, e logo a seguir muda de agulhas e discorre sobre literatura. É difícil perceber se são mais admiráveis os pensamentos em si, ou a forma como estes engastam no texto com uma naturalidade de tapeçaria, numa complexa lógica de rede em que nada é deixado ao acaso, como se uma locomotiva passasse a pente fino toda a alma humana; uma estrutura que é tudo menos natural, tão difícil de criar como os próprios pensamentos que dela fazem parte. É notável a fluidez das frases que se alongam como videiras e trepam aos ombros de outras que por sua vez se alongam e dão continuidade a novos pensamentos. Uma escrita tão elegante que parece natural, mas não é, ninguém escreve daquela forma sem um trabalho meticuloso de artífice por trás, mas a verdade é que em nada se nota esse trabalho, as frases caem no papel como as tolhas de certas mesas em certas casas. As personagens e as situações narradas são extremamente verosímeis e simples, quase naturais e tudo se vai encadeando para nos mostrar mil realidades diferentes da realidade, como quem forja as cores estilhaçadas de um caleidoscópio uma a uma e por fim une o caleidoscópio a partir de uma gigantesca memória criativa, desproporcionada, que abrange em si todas as pluralidades.

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