Personagens: Marcus e Kate
Sabe aquela frase “Não julgue o livro pela capa”? A gente bem que poderia acrescentar um pertinente “e nem pela sinopse” porque vou te contar uma coisa, viu? Alguns livros não merecem a sinopse que têm.
É o caso de Noites de paixão, cujo sumário só faz referência a uma parte da história e, por isso, deixa de lado a ideia geral - e principal - do romance.
E sinopse capenga pode atrapalhar horrores, concorda?
Veja minha pessoa, por exemplo: logo que li o rai do resumo, fiquei cabreira porque me deparei com as palavrinhas “poção do amor”. Quem me conhece, sabe que sou uma implicante assumida com misticismo ou qualquer elemento sobrenatural em histórias românticas e, por isso, fiquei esperando o pior. E esse “pior” pode ser traduzido como uma coisa meio medonha envolvendo bruxas, caldeirões, pitadas de cocô de rato e personagens completamente enfeitiçados.
Mas qual foi minha surpresa quando percebi que essa parte é quase irrelevante na história? Há misticismo e negócio de feitiço sim, mas não foi aquela cooooisa dolorida de tão fantasiosa. A tal poção estava mais pra um grandessíssimo afrodisíaco macumbado (do tipo que faz até galinha uivar) do que qualquer outra coisa.
Aliás, nessas poucas partes eu simplesmente olhei pro horizonte, fingi que não era comigo e segui adiante sem olhar para trás.
Teatral, mas funcionou.
A história é muito boa. Muito dramática e triste em algumas partes, simpática e charmosa em outras e bastante eróticas em muitas. Eu, que não estou muito acostumada com esses chamados “romances sensuais”, achei um pouco exagerado. Tanto, que em um dado momento, fiquei imaginando hipóteses e quase acreditei que, na verdade, o excesso de fornicação tinha justificativa: todos os personagens tinham só mais uma semana de vida e, pra compensar o prejuízo, estavam mandando ver.
Não é possível!
Mas quem aprecia o estilo ou não esquenta a cabeça com esses detalhes vai gostar da história. Temos aqui um romance conturbado entre os protagonistas, romance paralelo entre personagens secundários, mentiras e enganos, grandes conflitos, dramas dolorosos, vilões tão maus que incitaram a produção de palavras com caráter moral duvidoso, uma narrativa sensível e um final lindo para os bonzinhos e merecido para os mauzinhos.
Aliás, eu preciso frisar que há muito tempo eu não me deparo com uma mocinha tão sofrida. Maria do Bairro ou similares? Fichinha perto da Kate. Já Marcus é um protagonista com defeitos reais, sem idealização e, certamente, também produziu os resmungos supracitados. Aliás, ele me lembrou um pouco os mocinhos de Diana Palmer no tocante à cavalice. Aprontou algumas que eu quase mandei ele pra casa do caramba!
Enfim, é uma história bonita, ainda que tenha seus defeitos. É como eu disse: o excesso de cenas eróticas, principalmente na primeira metade do livro, pode entediar porque fica cansativo.
Acredito que faltou também romantismo no relacionamento de Marcus e Kate, embora a ausência dele tenha sido muito coerente com a história.
O problema todo é que sou do tipo romântica, gosto da parte da conquista, da construção dos sentimentos antes de qualquer coisa.
Mas ainda assim, vale a pena, porque a história é realmente muito boa.
Por isso, não posso deixar de dizer: valeu pelo presente, Carlíssima!
Recomendooooo!
; )