Para começar, o que me atraiu em Wake foi a história, que envolve sonhos e o subconsciente da mente humana. Apesar de algumas advertências de amigos, como "o livro não é lá essas coisas", segui em frente, comprei o livro e comecei a leitura.
Para Janie, uma garota de 17 anos, ser sugada para dentro dos sonhos de outras pessoas está se tornando normal. Janie não pode contar a ninguém sobre o que acontece com ela - eles nunca acreditariam, ou pior, achariam que é uma aberração. Então, ela vive no limite, amaldiçoada com uma habilidade que não quer e não pode controlar. Mas, de repente, Janie acaba presa dentro de um pesadelo horrível, que lhe causa um imenso terror. Pela primeira vez, ela deixa de ser expectadora e se torna uma participante.
De fato, a história é bastante intrigante, um dos pontos positivos do livro. Quando mal se espera, você está com Janie presenciando o sonho de quem está dormindo por perto, tentando entender o porquê de cada sonho. Os personagens são bem reais, sem super-heroísmo ou meiguice extremos, apesar de serem mal-desenvolvidos. Quando pisca os olhos, Janie e Cabe já são namorados. Me senti lendo uma história cheia de buracos.
Mas o grande problema do livro é a autora. Lisa McMann escreve em terceira pessoa do presente. À primeira vista parece legal, diferente dessa onda de livros em primeira pessoa. Entretando, a narração gera certa estranheza e, com o tempo, torna-se desagradável.
O livro é cheio de frases soltas e entrecortadas, o que deixa o leitor (pelo menos a mim) perdido. Sem falar nas vezes em que você não sabe se é o narrador ou algum personagem quem está falando. Não se isso acontece na versão original, em inglês, ou se foram erros da editora Novo Século, responsável pela tradução e distribuição do livro no Brasil. De qualquer forma, deixa o leitor confuso.
Você mal percebe quando o livro termina. São cerca de 200 páginas que você, se tiver tempo, lê em um só dia. Ou em dois, como foi o meu caso. Mas ao menos o final não é decepcionante. Nem surpreendente (aliás, não há nenhum ponto surpreendente ou um clímax no livro).
Me disseram que Fade, a continuação, é bem melhor do que Wake, e é por isso que vou dar mais uma chance à série. Só espero que seja melhor mesmo.