Pensa numa história em que o mocinho trai a mocinha durante nove anos.
Hum?
Agora, me diz se mediante tal afronta você não acalentou a imagem dele sendo atormentado por satã no inferno escaldante para todo sempre?
Pois é, mas aí vai o improvável: amei o cara.
A-M-E-I.
Mas antes que uma turba emputecida chegue até mim com tochas e brados de “queime a herege”, dexeu explicar.
Tempão que este livro estava na minha vasta lista. Anos, pra ser mais precisa.
Só que eu não lia porque não tinha o bixim na estante e também porque ficava cabreira, afinal, uma penca propalava o quão bosta era o mocinho.
Fora o tema infidelidade que, por definição, escangalha a boa vontade.
Mas um dia, o livro caiu na minha frente e decidi encarar.
Sabe uma história muito, muito boa mesmo? Que te envolve tanto a ponto de você se esquecer da vida lendo e, por isso, passa o dia seguinte descompensada pela abastança de soneira?
Na cama da paixão é o terceiro livro de uma série e conta a história de John e Viola.
Os dois são casados há quase nove anos, mas se odeiam, segundo as más línguas. Vivem vidas separadas – por uma situação do passado – e geral sabe disso: se um deles é convidado para festas, o outro nem fodendo.
John, nesse meio tempo, sai pegando a mulherada já que é impossível um pinto como o dele ficar ocioso.
Até que um dia acontece um troço e ele precisa de um herdeiro. Com a esposa. Que não quer ver ele nem besuntado de brigadeiro.
Pera...
Bem, mas o fato é que a história começa nesse ponto e basicamente gira em torno dessa reconquista. Ele precisando recuperar Viola extremamente ferida depois de tanta merda por ele defecada no período em que estiveram separados.
E tudo vai sendo desenvolvido de uma maneira leve, embora o tema seja tenso.
Aí é que falo, tem traição que a gente entende os paranauê. Olha bem: entende, não concorda. No caso dos mocinhos, John realmente foi um filho da puta, mas ele conseguiu se redimir, pra mim. Não vou falar os porquês e nem como, se não conto o livro inteiro e muito da história é sobre a redenção do cara.
Sei que muita gente não se convenceu e continua torcendo pra ele morrer seco e arreganhado, contudo eu perdoei. Porque sou fácil assim. :/
Mas sabe por que John me ganhou? Porque ele não tentou ser quem não era, não tentou dar desculpas esfarrapadas, nem mentia pra mocinha. Ele era sincero na sua patifaria.
E incrivelmente apaixonado por ela.
Senti isso em cada linha da história.
Aí você pensa: se fosse apaixonado, não traía. Bem, levemos em conta a mentalidade da época, o contexto, os valores. Era normal pra alta sociedade sair pegando geral, desde que discretamente, já que a maioria dos casamentos era negociado e não baseado em amor.
E John seguiu esse fluxo, mesmo estando apaixonado.
E olha que nem entrei no mérito de que ele era incrivelmente atrevido, hilário e espirituoso.
A mocinha? Osso duro de roer. Viola não facilitou, pelo contrário, e ele teve que ralar MUITO pra conseguir o perdão.
E não espere longos e melequentos discursos de John pedindo desculpas pelo vacilo. Sim, o meliante não profere as palavras, mas se você prestar bem atenção, suas ações vão fazendo isso por ele.
Amei, amei totalmente e, claro, favoritei.
E se você, caro leitor, agradou e se interessou pelo livro, tenho que te dar uma notícia de merda.
Na cama da paixão foi publicado aqui no Brasil pela Nova Cultural com o nome de Nosso amor de ontem. Mas a desgraça está no fato de que a história foi impiedosamente estropiada para caber nas parcas páginas dos livros de banca. Ou seja, metade da história foi cortada. Isso fode ou não com tudo?
Ebooks com o título Na cama da paixão rolando por aí? Essa mesma versão estropiada da NC.
Como ler? Comprando pela Wook de Portugal.
Dinheiro? Aí, colega, se você souber como arrumar, conta pra nozes que nozes agradece.
Recomendo demais da conta.
;)
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