Principles of convergent journalism tem a capa de um livro que te diz algo sobre jornalismo. Infelizmente, a leitura é decepcionante e só a termina quem é obrigado. Arrisco a explicar o fracasso dos autores porque eles resolveram falar sobre tudo, não apenas sobre a convergência. Escrever sobre gramática, explicar o que é jornalismo e descrever os critérios de noticiabilidade é forçar o leitor a cometer suicídio. Principalmente porque o público-alvo de Principles são estudantes de jornalismo, recém-formados e profissionais que querem entender o que é a tal convergência.
O maior pecado do livro é esquecer que o assunto principal é convergência no jornalismo. Quando os autores querem descrever as habilidades que um profissional precisa ter para trabalhar em uma redação convergente (não gosto de traduzir esse termo) no capítulo “Basic Skills and Roles in Convergent Newsrooms”, eles acabam descrevendo como deve ser um jornalista, seja ele de rádio, televisão, impresso, internet ou todos os meios.
Além de ser obrigada a ler o que era jornalismo em um livro extremamente didático e falho estando na metade da graduação, outros momentos ruins foram ter que “aprender” a digitalizar áudio de um gravador para o computador, imagens da câmera para o computador, editar fotos no Photoshop, postar uma notícia em um portal online, entre outras “dicas”. Principles of convergent journalism brinca de ser um manual técnico para jornalistas, mas sem foco e muito superficial.
A leitura só não é perdida por alguns conceitos que deveriam ter sido mais explorados considerando a quantidade de páginas do livro e o tempo perdido em outras questões. Os autores defendem que o jornalismo na era da convergência não significa que qualquer história vai ser contada em vídeo, áudio, no jornal impresso e mais alguma informação na internet. O essencial é identificar qual o potencial da história, se ela tem a emoção característica da televisão ou precisa da análise dos fatos que pode ser dada em um impresso. O jornalista também não precisa ser bom em todos os meios de comunicação, mas também não pode se dedicar apenas a um. Em vez de ser especialista na mídia e generalista nos assuntos, o profissional convergente vai ser especialista no assunto e saber o básico de TV, de rádio, jornal. “One of this book’s authors has described this as the migration ‘from story generalist and media specialist’ to ‘story specialist and media generalist’”.
O livro ainda destaca novos papéis para um jornalista dentro da redação como o “newsflow editor”, que controlaria quando e como reportagens ou notícias sobre um determinado assunto e suas atualizações devem ser publicadas/transmitidas em cada meio, e o “story editor”, que controla uma pauta em vários meios.