Até que tenho lido bem nesse mês, cerca de livro e meio por semana, mas estou com sérios problemas para sentar e escrever resenhas. Isso sem contar as já pendentes há um bom tempo como as dos livros que li para o #Cacilda-A-Thon. Acho que dificilmente conseguirei tirar esse atraso até o fim do ano, mas, pelo lado bom, isso vai me ajudar a, em 2015, voltar com duas resenhas semanais, que foi o que mais me pediram no Censo que fiz este ano aqui no blog – isso e vídeos, mas, olha, isso não vai rolar não!
Golgo 13
Pra quebrar um pouco o ritmo, estava arrumando meus mangás e dei de cara com meu exemplar de Golgo 13, que li lá em 2012 mas não fiz resenha, na época ainda lutava por encontrar um modelo para elas, que, no final, acabou não sendo em nada diferente do que já faço para os livros.
Reli Golgo 13, e, mais uma vez, me surpreendeu a maturidade do roteiro e da arte de Takao Saito.
Saito é um dos grandes mestres dos mangás, um dos primeiros a profissionalizarem a arte, e, pode-se dizer, o criador do gênero de mangás para adultos, o Gekigá. Teve diversos sucessos em sua carreira, mas é com o assassino de aluguel Golgo 13 que é mais conhecido mundo a fora.
Golgo 13
Golgo 13 é misterioso, infalível, e sempre envolto em conspirações. É um tipo de 007 dos mangás, mas de quem pouco se sabe, exceto de sua infalibilidade. Em 2009 a JBC decidida a lançar um novo selo, o JBC Graphic Novel, anunciou, entre outros, três volumes com histórias do pistoleiro, em papel offset e edições com orelha, coisas até então muito pouco vistas em mangás por aqui. Em mãos, a edição é muito bonita, mas permanece o incômodo pela seleção das histórias.
Não que sejam ruins, não são em absoluto, mas fico me perguntando as razões por terem escolhido para o primeiro volume a história de número 377, “Um Minuto Depois da Meia-Noite, Golgo 13”, de setembro de 1998; e a de número 179, “Zdrowas Maryjo Golgo 13”, de dezembro de 1981. Cronologia pra quê? Seria muito mais interessante, penso, que começassem pela de número 1, mostrando as origens do personagem. Talvez tenham ficado de mãos atadas por questões contratuais, ou, ainda, optado por algo mais comercial, com um traço mais depurado que no começo do cânone do personagem; mas causa estranheza.
As duas histórias tem um viés Golgo “bom moço” ou “justiceiro do bem” que não posso afirmar que existem nas outras tantas do personagem – foram quase vinte anos de publicação. Ele é um assassino, sim, mas nas dias histórias deste volume ele o faz para punir culpados ou consertar desvios, é alguém a quem se recorre quando tudo o mais falhou em busca de justiça ou reparação.
Golgo 13
O traço é perfeito. Na “Zdrowas Maryjo Golgo 13”, por exemplo, vemos catedrais lindamente desenhadas, detalhes de encher os olhos e tudo isso funcionando muito bem com a ação que é descrita nos quadros. E os roteiros trazem um quê de narrativa cinematográfica que lembra muito 007, os cenários variados, as conspirações, mas, ao contrário do agente inglês – que deveria ser secreto mas fala seu sobrenome, nome e sobrenome a cada dois personagens com quem esbarra – Golgo não sorri, é impassível, e tem traços que inspiram confiança amparada em certo temor.
Eu gostei. Sigo questionando a escolha das histórias, mas ambas são muito boas; e não é preciso conhecer previamente o personagem para se entrar no clima do que é contado. Mangás, geralmente serializados em capítulos, tem essa “característica” de, no início de cada um deles, trazer breve retrospecto da ação acontecida no anterior, e dos personagens envolvidos, assim todo mundo é contextualizado de forma competente.
Queixumes à parte, quem deseja conhecer um dos personagens mais emblemáticos dos mangás tem em “Golgo 13” uma boa alternativa.