Pelos olhos de Maisie -

    Henry James

    Penguin Companhia
    2010
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788563560025
    Português Brasileiro

    A separação de seus pais gerou uma situação inusitada para Maisie. Apesar de a guarda ter sido concedida ao pai, acabou sendo estabelecido que a menina ficaria com os dois. Dividida, Maisie vira um joguete na mão do casal e, aos poucos, expõe os contrastes, entre virtudes e defeitos, entre inocência e cinismo, de ambas as partes - ao mesmo tempo que descobre um modo próprio de ver o mundo. A personagem está num lugar privilegiado para Henry James contar esta história admirável, feita de objetividade narrativa, observação detalhada e sutil ironia. Maisie já não é criança, mas ainda não é adulta. Situa-se ao mesmo tempo dentro e fora da trama. Por isso, sua vida ilumina e desvela costumes, princípios e fraquezas de uma família desagregada e de uma sociedade movediça. Escrito na fase mais fértil da carreira de Henry James, o romance está entre as grandes realizações do autor. Esta edição traz, entre outros aparatos, o prefácio que o próprio autor escreveu, em 1908, para a "New York Edition" de suas obras, extraordinário depoimento em que comenta seu método de trabalho e o processo de construção do romance.

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    Osman Torres Ximenes Junior08/08/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Pelos Olhos de Maisie, Henry James

    Enquanto lia Pelos Olhos de Maisie, numa edição caprichada da Penguin Companhia cheia de informações sobre o autor e a obra, tive um relacionamento de amor e ódio com o livro. Ficava dias sem ler, mas quando começava não conseguia largar. Posso tentar explicar essa reação com o incômodo que as situações absurdas da narrativa me proporcionava: Maisie, nossa heroína infante, era envolvida nos jogos mais sórdidos do mundo dos adultos que ela naturalmente pouco conhecia. Seus pais e suas mães (pois é!) praticamente forçam a garotinha a agir como uma adulta porque eles próprios vivem e se relacionam como crianças. Além do tema inesperadamente desagradável, a prosa de Henry James é de uma sofisticação que beira a incoerência (o que é justificável já que a construção da trama condiz com o universo de uma criança). Em alguns momentos me irritava ter que ler a mesma sentença ao menos dez vezes e ainda assim não conseguir extrair um mínimo de sentido. Em outros, quando a perspicácia e a fina ironia do autor eram devidamente compreendidas, confesso que eram momentos intelectualmente prazerosos. No entanto aqueles trechos frustantes de tentativa e erro foram escasseando no decorrer da obra. Acostumei-me ao ritmo do escritor de forma que, a partir de um certo ponto, praticamente não consegui parar de ler até concluir esta coming-of-age story, que parte dos danos que pais divorciados podem causar a uma criança. Uma questão tão relevante em 2013 como foi em 1897.

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