
Ercília Nogueira Cobra, escritora e pensadora que viveu na virada do século XIX. Filha de um barão do café, cresceu em São Paulo, alimentando o sonho de se tornar pianista. Com a morte do pai, porém, teve de voltar para sua cidade natal. Não conseguiu se adaptar à vida no interior paulista e fugiu de casa com a irmã mais velha, Estella. As duas, porém, foram localizadas pela mãe e enviadas para um colégio interno dirigido por freiras, o Asilo Bom Pastor. Ali teve seu nome mudado para Maria Madalena. As duas irmãs concluíram a Escola Normal em 1917. Na cerimônia de formatura, revoltada por não ter reconhecida a sua posição de primeira aluna da turma, sendo preterida pela filha de um coronel, rasgou o diploma. Começou a escrever textos para o jornal anarquista Giesta. Conheceu o Rio de Janeiro, Buenos Aires e Paris na década de 1920. De volta ao Brasil, baseada numa proposta pedagógica, uma nova maneira de olhar e educar as mulheres para a sua realização profissional e sexual, defendeu, através de seus dois livros Virgindade Inútil: Novela de Uma Revoltada (romance) e Virgindade Anti-Higiênica: Preconceitos e Convenções Hipócritas (ensaio), publicado por Monteiro Lobato. Suas críticas à religião, ao casamento e à educação da mulher causaram polêmica e o livro foi retirado de circulação. Pelos títulos já se tem uma idéia do escandâlo que eles provocaram no início do século XX, numa sociedade repressora e conservadora em que a mulher não tinha a menor visibilidade, tendo sua obra sido recolhida pela polícia, motivo pelo qual foi presa e cognominada de pornográfica. Marginalizada pelo conteúdo dos seus livrou, mudou-se para Caxias do Sul, onde adotou o nome de Suzana Germano e abriu a Pensão Royal, um cabaré na zona do meretrício. Em 1942, a casa foi fechada por causa de dívidas com a prefeitura. Perseguida pelo Estado Novo, foi presa e torturada. Fugiu para o Paraguai. Não se tem notícia do local e data da sua morte.