O adjetivo que encontro em minhas faculdades para definir a experiência que tive aqui é "delicioso". A história de como Bogoloff, um professor russo moldado em ideais de honestidade, é corrompido pelo ambiente brasileiro a abandonar o trabalho honesto é uma trama instigante, engraçada e atual. Por exemplo, vendo como o país funciona, ele promete criar porcos do tamanho de bois e bois do tamanho de elefantes, conseguindo assim recursos governamentais. Do mesmo modo, Bogoloff se aproxima de políticos, finge ser artista plástico renomado e é endeusado pelos brasileiros por ser um homem branco europeu. Lima Barros usa de sarcasmo para criticar a burocracia do nosso país, a falta de preparo dos agentes públicos, a síndrome de vira-latas que emana de nossa construção nacional; o "faz-me rir", o "sabe com quem está falando?", o "uma mão molha a outra". Sério, que obra maravilhosa. Até aqui, na minha Barretona, a maratona de Lima Barreto, é o livro que mais gistei. E não duvide: qualquer semelhança com os tempos atuais não é mera coincidência.