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    All Clear (All Clear #2) -

    Connie Willis

    Spectra Books
    2010
    656 páginas
    21h 52m
    ISBN-13: 9780553807677
    4.3
    4 avaliações
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    Favoritos2Desejados6Avaliaram4

    In her first novels since 2002 (Blackout and All Clear) Nebula and Hugo award-winning author Connie Willis returns with a stunning, enormously entertaining novel of time travel, war, and the deeds - great and small - of ordinary people who shape history. 'If you're a science-fiction fan, you'll want to read this book by one of the most honored writers in the field; if you're interested in World War II, you should pick up Blackout for its you-are-there authenticity; and if you just like to read, you'll find here a novelist who can plot like Agatha Christie and whose books possess a bounce and stylishness that Preston Sturges might envy.' (The Washington Post)

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    Luciana Darce picture
    Luciana Darce14/04/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Polly é uma historiadora interessada em estudar o efeito dos bombardeios diários sobre as pessoas comuns durante a Blitz - campanha militar que faz parte da Batalha da Grã-Bretanha entre 1940 e 1941, quando a Luftwaffe e a RAF combatiam nos ares numa escala nunca antes imaginada. Michael, também um historiador, deseja entender o heroísmo das pessoas comuns em tempos de desastre; para tanto ele pretende estudar Pearl Harbor e os civis que atenderam ao chamado de resgate das tropas em Dunkirk. Merope está em seu primeiro estudo de campo, observando crianças evacuadas de Londres para escapar dos bombardeios. Em comum, todos eles são alunos do professor Dunworthy em Oxford, num mundo em que viagens no tempo são possíveis e utilizadas principalmente por estudantes de História. Cada um deles viaja para sua época de estudo e, por diferentes razões, descobrem que o caminho de volta ao seu presente está barrado. Eles estão sozinhos e presos no passado, num dos períodos mais turbulentos da História. Esse é basicamente o plot que move a ação em <i>Blackout</i> e <i>All Clear</i>, últimos livros no universo dos historiadores viajantes no tempo de Connie Willis - que começou com O Livro do Juízo Final, passando por Vigia de Incêndio e To Say Nothing of the Dog, todos narrativas independentes dentro da mesma realidade. A autora passou oito anos trabalhando nesta história e isso explica muito da escala em que as coisas acontecem: os dois volumes são calhamaços de mais de quinhentas páginas, que costuram vários pontos de vista, em vários períodos históricos, numa jornada épica e repleta de símbolos e referências várias. Só a quantidade de pesquisa que está por trás disso tudo já valeria à pena embarcar na aventura, mas a Willis consegue imbuir tudo isso com enorme emoção: ela te deixa tenso, ansioso, feliz, triste, te leva às lágrimas e aos paroxismos do riso, e mesmo entre perdas e despedidas, entrega um final corajoso e repleto de esperança. <i>Blackout</i> faz referência ao escurecimento das regiões urbanas da Grã-Bretanha nos dias da Blitz - qualquer mínima luz poderia ser usada pelos nazistas como alvo para as bombas e por isso as janelas eram fechadas com cortinas ou qualquer material que pudesse bloquear iluminação. Quando as sirenes de alerta soavam, as pessoas deviam seguir para abrigos, em casa, ou nas estações de metrô, algum lugar subterrâneo que pudesse oferecer alguma proteção. É um título que faz sentido diante da situação dos personagens, que durante todo o livro estão desnorteados, sem entender exatamente o que aconteceu com eles; por qual razão suas passagens de volta para o presente não abrem, nem por que ninguém aparece para resgatá-los; tentando sobreviver com o conhecimento que têm, mas muitas vezes pegos de surpresa pelas circunstâncias; sem saber ao certo se suas ações alteraram o curso da História e da própria Guerra. Merope/Eileen deveria ter ido para casa tranquilamente, mas um surto de sarampo na casa em que trabalha faz com que ela perca a data de seu retorno. Merope não tem muitos escrúpulos ou mesmo pensa nas consequências de mudar o passado se for para salvar as crianças sob sua tutela: as aspirinas que ela dá a Binnie certamente são a razão da menina ter sobrevivido, assim como sua escolha de não avisar sobre a passagem de Alf e Binnie para o Canadá no navio City of Benares, que ela sabia iria afundar no caminho. Seja como for, após a quarentena, seria de se esperar que a passagem estivesse livre… mas a mansão é requerida pelo exército para se tornar uma escola de artilharia e a floresta em que o acesso de Merope ficava torna-se um campo de treinos de rifles. Michael é mais relutante em sua participação nos acontecimentos em Dunkirk. Nunca foi intenção dele participar do resgate; o plano era ficar em Dover e entrevistar as pessoas daquele lado do Canal da Mancha. Um pequeno cochilo, contudo, acaba jogando-o no meio da ação e, no calor do momento, não há tempo para pensar em quais atitudes podem ou não ter impacto na História, especialmente a se considerar que, pelo que os teóricos e historiadores sabem até então, deveria ter sido <i>impossível</i> ele chegar sequer <i>perto</i> de Dunkirk, considerando ser esse um ponto de divergência. O soldado que Michael salva, volta depois para salvar centenas de outros - outros que talvez devessem ter morrido na praia. Como saber? Fato é que ao voltar ao ponto de partida, Mike descobre que há uma bateria antiaérea exatamente onde deveria estar seu acesso ao presente. Polly planejava passar suas noites nas estações de metrô, mas sua chegada ao passado é no meio da noite no início de um bombardeio. Ela acaba sendo levada a um abrigo por um guarda da ARP (Air Raid Precautions), e lá encontra um grupo bem heterogêneo, que inclui velhas falastronas, jovens namoradeiras, crianças, cônegos e até uma lenda do teatro clássico. E bem longe de manter uma posição de distanciamento e imparcialidade - afinal, os contemporâneos são seus objetos de estudo e nada mais - Polly logo passará a se importar, e muito, com essas pessoas. Esse, aliás, parece ser um ponto em comum nessas histórias da Willis: os historiadores viajam ao passado para observar os contemporâneos; mas não demora muito até perderem a objetividade do estudo ao se darem conta de que não são capazes de ignorar o sofrimento do outro. Os historiadores sentem muita dificuldade em não salvar uma vida quando a ocasião lhes é apresentada, ainda que isso signifique o Fim da História. É o primeiro impulso de todos eles e só depois se pensa nas consequências. Nesse aspecto, os livros dela são muito esperançosos, trazendo à tona o que há de melhor no caráter humano: compaixão, solidariedade, persistência. <i>Blackout</i> cresce e cresce num tom de tensão e não vai a lugar algum, apenas esticando o leitor até você ter a impressão de que vai explodir (pensei que ia enfartar nos capítulos da Catedral pegando fogo, Eileen atravessando a cidade dirigindo a ambulância, o mundo parecendo ter se tornado um inferno). Ele claramente não foi escrito para ser lido sozinho, você termina o último capítulo e imediatamente emenda o segundo livro ou vai parar de maneira realmente abrupta e sem qualquer resolução. <i>All Clear</i> são as sirenes que sinalizam o final dos bombardeios, quando os aviões da Luftwaffe estão voltando para o Continente e é seguro deixar os abrigos e voltar para as ruas - é o sinal de que acabou, pelo menos por aquela noite. Elas tocarão uma última vez no dia em que a guerra acabar, no dia em que Londres se ilumina de novo depois de anos no escuro, na explosão de alívio e alegria que se derrama pela cidade. É no segundo livro que as coisas se encaminham, que começamos a entender realmente as idas e vindas no tempo: o significado dos capítulos em que Mary dirige sua ambulância - Mary uma das identidades que Polly assumiu em suas explorações ao passado - ou Ernest escreve suas notas para o jornal. A leitura se torna bem mais fluida e menos febril em <i>All Clear</i>, embora não se perca a urgência que Willis passou desde o começo do enredo. Um dos grandes temas aqui passa pela teoria das viagens no tempo no mundo de Willis: a História é compreendida como um sistema caótico, capaz de se auto-corrigir, de se fechar à rede que possibilita o acesso ao passado. Desse contexto vem a ideia de que os Historiadores não podem alterar o passado, algo em que Polly se baseia para acalmar Michael - mas que constantemente assalta seus pensamentos e lhe provoca imensas dúvidas. Isso faz parte de um tema maior, que é a vida cotidiana como caótica, sujeita a planos frustrados, tudo que pode dar errado dando errado, confusões, desencontros, falsidades. Costurado a esse pressuposto está a ideia de que mesmo as menores ações importam no resultado final de um evento (um comprimido de aspirina dado a uma criança; um esbarrão na entrada do metrô, uma nota no jornal) - e não qualquer evento nesse caso, mas a Segunda Guerra Mundial -, e que os atos de coragem e sacrifícios das pessoas comuns são tão impactantes quanto os feitos heróicos no front. Essa é uma verdade que nossos três intrépidos historiadores vão experimentar de perto e que orienta muitas das decisões que eles tomam ao longo de todo o enredo. Esses dois temas são representados por uma infinidade de símbolos - aliás, a forma como Willis vai agregando camadas de significado a partir de pequenas referências são uma das muitas razões que me conquistaram em seu estilo. São detalhes como Polly se apresentando no passado com o sobrenome Sebastian, que remete a Noite de Reis, e Michael, disfarçado de jornalista americano, como parte de uma unidade de inteligência em que todos se identificam com nomes tirados de A Importância de ser Prudente - ambas as peças tendo protagonistas que usam outras identidades. Considerando a forma como eles se apresentam no passado, como estão sempre conscientes de estarem representando um papel, de não poderem dizer realmente quem são para aqueles com quem estão convivendo no passado, o alinhamento de Polly com Viola/Cesário e de Michael com Jack/Ernest faz muito sentido. Nessa mesma linha está a fascinação de Merope com as histórias de Agatha Christie - que ecoam os mistérios que os próprios historiadores têm de desvendar. A diferença é que em vez de encontrar um culpado para o crime da vez, o que eles buscam são respostas para o motivo de se encontrarem ilhados no passado, sem conseguir se comunicar com a Oxford de onde vieram, sem entender porque ninguém veio em seu resgate. E as teorias vão se sucedendo, especialmente depois que o próprio professor Dunworthy se vê preso no passado com seus alunos. Mas é a Catedral de St. Paul que realmente se destaca como foco de muitas das conjecturas dos personagens. Willis é realmente fascinada por essa catedral; ela já fora, inclusive, um ponto central em <i>Vigia de Incêndio</i> (que, aliás, tem várias ligações com o enredo de <i>Blackout</i>). Dunworthy ama St. Paul e instilou sua paixão em seus alunos; para além disso, a manutenção da catedral em pé durante os bombardeios serviu de encorajamento para a Grã-Bretanha: a foto dela incólume em meio aos incêndios é uma das imagens mais icônicas da Guerra e não à toa foi escolhida para a capa do livro. Dois objetos guardados na catedral têm uma particular importância para nossos historiadores: a pintura <i>A Luz do Mundo</i>, que mostra Jesus batendo a uma porta fechada - na qual Polly enxerga a si mesma mais de uma vez, tanto em momentos de desespero quanto de inspiração - e o monumento a Robert Faulknor, um capitão da Marinha Real que mesmo gravemente ferido, salvou sua tripulação e seu barco: emboscado por navios franceses, com sua própria fragata avariada, ele conseguiu amarrar seu navio ao barco inimigo mais próximo e usar os canhões deles contra os outros franceses, ganhando tempo suficiente para virar o jogo, mas morrendo sem saber de seu sucesso. Faulknor à deriva e Faulknor se sacrificando pela tripulação são duas imagens que se sobrepõem muito bem à trupe que acompanhamos nesses livros. Faulknor, aliás, é comparado também a Ernest Shackleton, um dos desbravadores do Polo Sul, que fez também uma viagem bem traumática e foi parte de um resgate difícil e heróico. A alternância dos pontos de vista, a inclusão da voz de personagens que parecem não fazer parte do mesmo enredo. a narrativa não linear que salta anos, décadas, até séculos de uma vez, pode confundir a princípio o leitor mais incauto, especialmente porque Willis se detém em descrições dia a dia do que está acontecendo com os personagens e há momentos em que tudo parece repetitivo demais. Confesso que a determinada altura do primeiro volume, comecei a fazer anotações de datas e personagens e incluí-los numa linha do tempo de eventos da guerra, de modo a não me perder. Não é uma leitura sempre fácil de acompanhar, não vou mentir. Mas quando todos esses fios narrativos se encontram num todo coeso, então é tudo simplesmente <b>glorioso</b>. <i>Blackout</i> e <i>All Clear</i> não são os livros que indico para quem está começando a se aventurar nos escritos da Connie Willis - eu mandaria a pessoa ler os contos dela primeiro, que são fenomenais. Não é uma leitura fácil, nem todo mundo vai ter paciência de acompanhar todas as minúcias que ela coloca, tantos detalhes históricos, a necessária repetição dos pensamentos dos personagens, que parecem estar “dando murro em ponto de faca” tentando encontrar uma maneira de voltar ao seu presente. Talvez até mais do que a ação em si, o que realmente conquista nesses livros são seus personagens: o cuidado paternal de Dunworthy, a tenacidade de Colin, a gentileza paciente de Eileen, a abnegação de Michael, a confiança de Polly. A enorme capacidade que todos eles demonstram de se importar com o Outro, de enfrentar as dificuldades, de persistir. Dito tudo isso, a maior crítica que faço à Willis é… tem Colin de menos nesses livros. Colin foi um personagem que roubou completamente a cena em <i>O Livro do Juízo Final</i> e, quando ele aparece no começo de <i>Blackout</i>, eu simplesmente vibrei, especialmente com a paixonite dele na Polly. Mas aí vamos ao passado e, embora ele seja lembrado muitas vezes ao longo da história, ele só vai reaparecer já perto do final de <i>All Clear</i>. Colin tem um papel muito importante no resgate dos historiadores perdidos no passado, mas considerando o tempo que ele levou procurando, acho que valia ter dado mais espaço a ele. Mas, tudo bem… por isso temos fanfics. Eu encontrei duas que responderam exatamente às minhas angústias, uma que expande a cena do resgate do Michael e que se aproveita muito bem das simbologias que Willis usa como ganchos (chama-se Not the Last Unknow e depois de tanta tensão, foi uma leitura extremamente catártica - sim, eu chorei) e outra toda do ponto de vista do Colin, resgatando os personagens dos outros livros da série, Kivrin, Badri, Finch, Ned e Verity (o nome dessa é Nothing Lost). Como comentei dos livros com alguns outros leitores da Willis e eles pediram a indicação das fics, estou deixando os links aqui.

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    Constance Elaine Trimmer Willis

    Constance Elaine Trimmer Willis, conhecida como Connie Willis, é uma escritora estadunidense de ficção científica. É uma das mais prestigiadas escritoras do gênero.

    21 Livros
    33 Seguidores

    Constance Elaine Trimmer Willis