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    Tau Zero (Mundos da Ficção Científica #31) -

    Poul Anderson

    Francisco Alves, (RJ)
    1983
    273 páginas
    9h 6m
    ISBN-10: 156865278X
    Português Brasileiro
    4
    132 avaliações
    Leram173Lendo7Querem164Relendo2Abandonos4Resenhas10
    Favoritos19Desejados164Avaliaram132

    TAU ZERO -- Século XXIII. A tripulação: cinquenta homens e mulheres de diferentes raças escolhidos cuidadosamente, com perfeito conhecimento da mecânica das viagens espaciais. A nave: Leonora Christine, um milagre da tecnologia, à prova de falhas. A missão: Uma viagem interestelar a um planeta distante. Se tudo correr bem, ali instalarão uma colônia terrestre. O risco: nenhum - exceto o desconhecido. E o desconhecido aparece, na forma de uma nebulosa, ou restos de uma estrela explodida, que a Leonora Christine encontra repentinamente no meio da sua rota... "Se um cosmonauta viajasse, a uma velocidade quase igual à da luz, em direção a uma estrela distante 10 anos-luz da Terra e regressasse à mesma velocidade, teria envelhecido apenas três anos, enquanto no planeta haveriam decorrido cerca de vinte. Se durante a viagem espacial conseguisse acelerar ainda mais, ficando bem próximo a fração de 100% da luz, poderia circunavegar todo o Universo e, quando voltasse ao ponto de partida, nada mais encontraria: a Terra e o sistema solar teriam desaparecido para sempre. Em Tau Zero, de Poul Anderson, essa vertiginosa hipótese é levada às últimas con-seqüências. A tripulação da espaçonave Leonora Christine, composta de 50 membros, de diferentes raças, deixa a Terra com destino a uma estrela no sistema de Beta Virginis, onde irão colonizar um planeta. No meio da viagem, a nave choca-se com uma pequena nebulosa. Seu curso é alterado e sua velocidade aumenta cada vez mais, até que os séculos se reduzem a segundos. Enquanto isso, dentro da Leonora Christine, cuja gravidade se mantém constante, o tempo passa com extrema lentidão. Acontece, então, algo espantoso: os ocupantes da nave assistem literalmente ao fim do Universo, que se reduz progressivamente a um monobloco, até um novo Gênesis cósmico. Considerado uma das melhores descrições de espaçonave e de sua viagem interestelar, dentro da ficção científica, Tau Zero, de Poul Anderson - escritor várias vezes laureado com os prêmios Hugo e Nebula - é um romance carregado de emoção e que mantém o leitor em suspense até as últimas páginas".

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    Resenhas (10)Ver mais
    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes24/01/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Antes dos Três Corpos, houve Tau Zero.

    "Mas houve um instante em que um minuto a bordo correspondeu a sessenta e um segundos no resto da galáxia. Pouco depois, correspondeu a sessenta e dois. Depois sessenta e três.. sessenta e quatro.. o tempo da nave entre esses totais progredia pouco a pouco, mas permanentemente menos... sessenta e cinco... sessenta e seis... sessenta e sete..." Lançado em 1970, Tau Zero é um livro de Hard Science Fiction escrito por Poul Anderson, a partir de um conto seu lançado em 1967 na revista Galaxy Science Fiction, chamado "To Outlive Eternity". “Sobreviver à eternidade”… este título já nos dá uma boa ideia sobre o conteúdo do livro. Leonora Christine é o nome de uma nave com tripulação de 25 homens e 25 mulheres. Ela é o máximo em tecnologia que a humanidade tem a oferecer e parte rumo à Beta Virginis, uma estrela da constelação de Virgem, semelhante ao nosso Sol, com o objetivo de confirmar a existência de um planeta habitável e, caso positivo, iniciar sua colonização. A viagem transcorre sem maiores problemas até que algo inesperado acontece: uma nebulosa não prevista na missão está na rota da nave e, dada a sua velocidade e aceleração crescentes, é impossível desviar o curso. Quando a Leonora Christine a atravessa, alguns sistemas da nave são danificados, impedindo-a de desacelerar. À medida que a nave acelera e se aproxima da velocidade da luz, o tempo a bordo passa cada vez mais devagar em relação ao resto do universo, como consequência da relatividade e da dilatação temporal. Isso afeta cada vez mais o ânimo da tripulação, que já não espera mais voltar à Terra — que, em determinado ponto da trama, provavelmente nem existe mais. O que eu senti lendo o livro foi que estava diante de um escritor muito habilidoso. Poul Anderson tem uma história grandiosa aqui mas que, por algum motivo (provavelmente editorial), tinha um número pequeno de páginas com que trabalhar. Explico: Anderson parece ter em mente um panorama imenso, muito maior do que estas 273 páginas poderiam comportar, com um contexto geopolítico bem traçado daquele futuro e discussões interessantes sobre o aspecto psicológico que uma missão como essa pode levantar — este livro poderia ser tranquilamente expandido para 500 ou 600 páginas. Mas — seja lá por qual motivo — Poul teve que abrir mão de algumas questões: a geopolítica é tratada de passagem no início do livro e a parte psicológica dos personagens acaba mais contida. Por sorte, Anderson é um grande escritor e, por mais limitado que seja o espaço para tratar do pano de fundo desse mundo e de seus personagens, com poucas linhas ele consegue nos dar uma boa ideia e material suficiente para que nós, leitores, preenchamos as lacunas. Mas Poul Anderson, antes de escritor, era um físico formado (estudou na Universidadede Minnesota) e em Tau Zero ele quis mesmo falar de física, cosmologia e astronomia; explicar conceitos do funcionamento da Leonora Christine, da dilatação do tempo, da morte e do renascimento do Cosmos - o próprio título do livro é uma referência a um conceito de física importante para a história: a medição do tempo a bordo da nave em relação ao tempo do Universo. Acredito que este seja o livro mais Hard Science que já li, um antecessor da minha obra preferida de todos os tempos, a Trilogia dos Três Corpos, de Cixin Liu. É importante para mim fazer essa relação entre as duas obras, pois senti que Poul Anderson antecipou muito do espírito dos livros de Cixin: ambos falam de fim e recomeço do universo, usam muitos conceitos científicos como base para seus enredos e dão uma atenção especial à psicologia de seus personagens. Eu diria que é como um aluno que pega os ensinamentos de seu professor e os leva a outro nível: Anderson foi a vanguarda; Cixin Liu é o presente. Sobre os personagens, por mais que o autor fale de alguns deles de maneira periférica, podemos dizer que há maior destaque para três: Charles Reymont, o “policial” da tripulação, a âncora da sanidade da nave, que faz uma espécie de jogo “policial mau / policial bom” com Ingrid Lindgren, a Primeira Oficial da nave. Enquanto Reymont é muitas vezes duro e inflexível com os tripulantes, Ingrid é a oficial mais condescendente, com mais empatia, digamos. Além disso, os dois formam um núcleo romântico na história, compondo um triângulo amoroso com a planetóloga Chi-Yuen, que tem uma personalidade marcante, flutuando entre a melancolia, a delicadeza e uma certa modernidade sentimental. Um detalhe engraçado sobre Charles Reymont: por mais que o livro seja sério, Anderson trata o personagem, às vezes, como se fosse um herói dos anos 50. Não vou dar exemplos aqui, mas algumas frases o descrevem quase como um herói pulp, que desperta a paixão das personagens femininas que o admiram. Mas isso não é nem de longe o foco; foi algo que percebi em uma ou outra frase em toda a história, e achei um detalhe divertido de notar. Ameniza um pouco o tom maduro do livro, sem nunca atrapalhá-lo. Em suma, "Tau Zero" é um livro espetacular, que só não é perfeito pelo único defeito de ser muito curto. E é também um livro de ficção científica do começo dos anos 70 que trata suas personagens femininas de maneira digna e inteligente — algo que considero, no mínimo, digno de nota. TS: RIVERSIDE: - Out Of Myself (2003); - Second Life Syndrome (2005); - Rapid Eye Movement (2007).

    334 curtidas

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    Avaliações

    4 / 132
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Poul William Anderson profile picture

    Poul William Anderson

    Poul William Anderson (Bristol, Pensilvânia, 25 de Novembro de 1926 – Orlinda, Califórnia, 31 de Julho de 2001) foi um escritor norte-americano da Era Dourada da ficção científica. Alguns dos seus primeiros contos foram publicados sob o pseudónimo de A. A. Craig, Michael Karageorge, e Winston P. Sanders. Foi, ainda, autor de diversas obras que se podem classificar como literatura fantástica, como na série King of Ys. Filho de pais de origem dinamarquesa, formou-se em Física na Universidade de Minnesota, em 1948. Casou-se com Karen Kruse em 1953, de quem teve uma filha, Astrid (casada com o escritor de ficção científica Greg Bear). Começou a escrever ficção científica em 1937, enquanto estava convalescente de uma doença. O seu primeiro conto, publicado na revista Astounding em Setembro de 1944, foi A matter of relativity. Em 1947 publicou a sua primeira obra de envergadura: Tomorrow's children na mesma revista, mês de Março, com apenas 20 anos. Em 1972 tornou-se o sexto presidente dos Escritores de Ficção Científica e Fantasia da América. Foi também membro da "Swordsmen and Sorcerers' Guild of America", um grupo que unia em si várias correntes de autores, fundado na década de 1960 e cujas obras foram objecto de uma antologia organizada por Lin Carter (Flashing Swords!). Foi, igualamente, membro da Society for Creative Anachronism. Faleceu devido a uma forma rara de cancro da próstata.

    66 Livros
    29 Seguidores
    Pennsylvania, Estados Unidos

    Poul William Anderson