A Última Fábula -

    Liliana Lagana

    Casa Amarela
    2002
    174 páginas
    5h 48m
    ISBN-10: 8586821322
    Português Brasileiro

    A Última Fábula - livro de Liliana Laganá publicado pela Casa Amarela, nos conduz a uma viagem cujo destino é Fratterosa, uma pequena aldeia dos Apeninos, na Itália. Nossa guia, nessa viagem, é uma menina resgatada de sob as camadas de lembranças que o tempo não apagou e que compuseram a história da autora. Essa menina, que gentilmente nos abre o caminho de suas próprias recordações, leva-nos a vivenciar uma época de grandes dificuldades, a Segunda Guerra Mundial. No livro, a menina, ao encontrar-se no vagão de um trem de carga que transporta refugiados da guerra, deparando-se com uma realidade quase insuportável conclui: “Mamãe disse que a guerra acabou, mas eu acho que não, acho que é uma guerra, esta minha, uma guerra ou uma carestia, essas são palavras de coisas ruins, nonna sempre dizia isso, e acho que é isso, ou uma outra coisa que não sei...” Mas, em meio a essa dor que não sabe nomear, a menina encontra um refúgio recordando-se das fábulas contadas pela avó - nonna Gemma. Ao ler o livro de Liliana Laganá, geógrafa e mestra em literatura italiana, tive comprovada uma certeza: é possível reencantar mesmo a realidade mais dramática. Ao resgatar o mundo mágico das fábulas contadas pela avó, sobrepondo-o à paisagem fuliginosa do trem que a conduzia para longe da infância, Liliana recria uma Fratterosa interior, um lugar onde permanecem intactas e imortais as personagens dessas fábulas, a velha avó e a própria menina que, anos depois, vem nos contar as mesmas histórias. Ao escrever partindo do real, recolhendo fragmentos de sua experiência e transformando-os em expressão literária, Liliana nos revela que não há esquecimento; a imaginação reforça os contornos do mapa da memória, aguça a sensorialidade e todos nós, leitores, sentimos o calor da cama de nonna Gemma: “Tudo nela era gostoso, os colchões de lã de carneiro, o acolchoado, também de lã de carneiro, os lençóis brancos e cheirosos de bucato”; ouvimos sua voz, encerrando mais uma fábula: “fui ao moinho/ moí a farinha/ contai a vossa/ que contei a minha.” Sabemos que quando um narrador registra o seu tempo, transcendendo-o, realiza a verdadeira literatura, aquela que traz em si o dom de ser para sempre atual, sempre nova; nesse sentido, Liliana Laganá está cumprindo uma missão fundamental: transformou a sua nonna numa personagem de contos de fadas com poder de acalentar as noites de muitos leitores, ao mesmo tempo em que universalizou um recanto do mundo – Fratterosa, que pertencia somente a ela e hoje pertence a nós, seus leitores. Ao ler o livro, entendemos que a última fábula nunca será contada, não enquanto houver memória, enquanto houver uma voz como a de Liliana nos contando histórias.

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    Edson Rodrigues do Prado picture
    Edson Rodrigues do Prado16/02/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Última fábula.

    E é simples assim... Não tem como não se emocionar quando uma criança está contando a sua visão da história. É o que essa Autora maravilhosa faz com a gente. Sem dó nem piedade e nos enche de ternura, de apreensão, de risos e de medos. Eu a julgo Mestra em mexer com a nossa humanidade simplesmente só sendo ela. Agora vamos ao próximo.

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