Por que o Haiti, que já foi conhecido como a Pérola das Antilhas, é o país mais pobre das Américas? A resposta está na sua bela história de luta! O país foi colonizado pelos franceses e vivia das plantations de cana-de-açúcar, com mão de obra escrava. Vários grupos de escravos fugitivos se juntaram e começaram uma revolta que foi de 1751 até 1757. Sob influência da Revolução Francesa e seus ideais, em 1789, outra revolução estava começando: a dos escravos no Haiti. Em 1794 ocorre a abolição da escravidão e todos os homens negros passam a ter direitos civis e políticos. O Haiti foi a primeira colônia no mundo a não ter mais trabalho escravo. Em 1804, o país se torna independente. A partir daí, o Haiti passou a sofrer embargos e punições, pois os países colonizadores tinham pavor de outras revoltas de escravos. O país ainda passou por ditaduras sanguinárias, guerra civil, intervenção da ONU e, mais recentemente, um terremoto que matou milhares de pessoas. Por tudo isso, muitos haitianos saíram do país e foram buscar asilo nos Estados Unidos. Foi o que aconteceu com a família da autora. Seus pais foram tentar a sorte enquanto ela e seu irmão mais novo ficaram na ilha sob os cuidados de seu tio, um homem maravilhoso que teve um fim trágico que ilustra bem a crueldade americana com os imigrantes. O livro é quase um diário com as memórias da autora, uma mulher que vive entre duas realidades tão distintas. A narrativa é mesclada de momentos muito doces com passagens revoltantes. É o retrato de um país que foi colocado no ostracismo para lembrar ao mundo que negros não podem triunfar. Mais uma vez o racismo se mostra poderoso. E eu continuo me perguntando: até quando?!