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    Posto 9 - Pedaço de mau caminho

    Chacal

    Relume Dumará
    1998
    76 páginas
    2h 32m
    ISBN-10: 857316168X
    Português Brasileiro
    3
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    Nos primórdios do Nove, as "indiazinhas saradas" já encantavam os nautas lusitanos e franceses que, depois de semanas ao mar e do cheiro podre dentro dos navios, desciam à terra dançando o vira, emborcando o vinho e cantando hinos de louvor à Iracema. Nos anos 60 e 70, nas dunas do barato, "as grandes cabeleiras serviam para nos identificar e nos disfarçar" e, às vezes, rolava um "quiproquó" da galera com os surfistas - raça pura de Ipanema. Mas o cachimbo sempre passava de mão em mão e a paz voltava. "Pelados no litoral, cada rodinha revivia rituais nativos". Já os anos 90 encontraram a praia poluída, as carrocinhas da Kibon e da Geneal deram lugar aos quiosques do calçadão. Apareceu uma galera mais nova, "mocidade independente que se reúne à noite no Baixo Gávea", e a praia recebeu uma poderosa iluminação que tornou infinito seu tempo útil. Saudoso, Chacal confessa que "a praia deixou de ser meu lá em casa há um bom tempo. Não é mais como no tempo do Sol Ipanema que já chegava e tinha minha roda". E começa a desfilar lembranças de uma época em que "era urgente ser inteligente" e ele dividia seu tempo entre "momentos em que a praia podia esperar" (passeios pela Cinemateca do MAM e o estudo no André Maurois) e o desbunde do Píer - as dunas de Gal... e de Cazuza, de Baby, de Caetano, de Waly - "a ilha da fantasia encravada na unha do dragão". Em 74, desmontaram o Píer (onde a informação proibida na mídia circulava subterrânea) e a galera foi em direção à Montenegro. Em 75, o Nove começa o seu reinado, seu destino de inventar moda. E vieram a poesia em mimeógrafos e o teatro, a Nuvem Cigana e o Asdrúbal Trouxe o Trombone, a tanga de Gabeira e o topless, o Circo Voador e o verão da lata, os churrascos na areia e o apitaço. E, embora tudo comece com sol, mar e areia em algum ponto obscuro do litoral carioca, Chacal deixa bem claro: "noves fora nada".

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    Ricardo de Carvalho Duarte profile picture

    Ricardo de Carvalho Duarte

    Poeta e letrista carioca, foi um dos primeiros poetas da década de 70 a se utilizar do mimeógrafo para divulgar sua poesia (à qual só se dedicou por ser incapaz de desenhar um cavalo), com o livro Muito Prazer (1971/2), na companhia de Charles Peixoto, que editou Travessa Bertalha 11. Em seguida teve um poema incluído na antológica revista Navilouca, editada por Torquato Neto e Waly Salomão. Em 1975 participou do grupo Vida de Artista, que contava com poetas como Francisco Alvim e Cacaso. Nesse ano lançou seu terceiro livro, América. Em 1976 teve poemas incluídos na antologia 26 poetas hoje, de Heloísa Buarque de Hollanda. Em seguida lançou Quampérius. Nessa época juntou-se a Charles Peixoto, Bernardo Vilhena e Ronaldo Bastos para fundarem o Nuvem Cigana, grupo que agitou a vida carioca do final da década de 1970, em especial com os happenings Artimanhas. Paralelo à poesia Chacal passa a trabalhar com grupos de teatro, escrevendo Aquela Coisa Toda para o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, e Recordações do Futuro, para o grupo Manhas & Manias. Nesse período aproxima-se de Patrícia Travassos e Evandro Mesquita, futuros parceiros da banda Blitz, para a qual Chacal compôs algumas letras. Em 1983 veio a público Drops de Abril, reunião dos livros anteriores editada pela editora Brasiliense. Seus outros livros são: Comício de Tudo (1986) - crônicas que escreveu para o Correio Brasiliense -, Letra Elétrika (1994), Posto Nove (1998) e A Vida é curta pra ser pequena (2002). Desde 1990 é diretor do CEP 20.000.

    25 Livros
    31 Seguidores
    RJ, Brasil

    Ricardo de Carvalho Duarte