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    O Corvo e Suas Traduções -

    Edgar Allan Poe

    Lacerda
    2000
    146 páginas
    4h 52m
    ISBN-10: 8573840099
    Português Brasileiro
    4.4
    219 avaliações
    Leram371Lendo5Querem175Relendo2Abandonos1Resenhas10
    Favoritos19Desejados175Avaliaram219

    Reúnem-se neste livro as mais importantes traduções de "O Corvo", o poema imortal de Edgar Allan Poe, em língua portuguesa, além do texto original e das duas traduções clássicas para o francês, a de Baudelaire e a de Mallarmé, que a divulgaram mundialmente, e a atual de Didier Lamaison. Grande desafio para os tradutores de poesia, pelo seu extremo virtuosismo formal, "O Corvo" renasceu em língua portuguesa, nos últimos cento e poucos anos, em diversos metros e esquemas rímicos, mais ou menos fiéis ao original e até em sonetos, cujos cortejo se revela um fascinante estudo da arte da tradução em verso. Enriquecido por um ensaio de Ivo Barroso, este livro reúne, além dos dois grandes tradutores franceses, os nomes de Machado de Assis, Emílio Meneses, Fernando Pessoa, Gondim da Fonseca, Milton Amado, Benedito Lopes, Alexei Bueno e Jorge Wanderley.

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    Resenhas (10)Ver mais
    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo21/09/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha especial

    O corvo e suas traduções, além da obra original, contém nove traduções em português e duas em francês. Provavelmente não há um livro com tantas traduções para o português quanto esse. Ainda cita muitas outras traduções existentes e até uma suposta tradução que teria sido feita por Jorge Luis Borges que, se existe, permanece desaparecida. Na introdução destrinchamos o poema e suas traduções. Nos deparamos com termos complicados como: Isocronia, assonâncias, ritornelo, repetições homófonas, aliterações, isologia métrica... Nesta parte, o livro expõe as dificuldades de se fazer uma tradução. É espantosamente difícil a tradução de uma poesia, sobretudo uma com essa idade e complexidade. Não basta fazer uma simples tradução literal, é preciso interpretar, adaptar, manter o ritmo, a cadência, a estrutura poética, as rimas, a quantidade de palavras e sílabas com o intuito de se manter o mais fiel ao original. Temos ainda neste volume a transcrição completa de um artigo intitulado "A filosofia da composição" produzida pelo próprio Poe para explicar o método minucioso adotado por ele para escrever o poema, desmistificando a ideia de que o poeta produz através de uma possível inspiração. Poe revela o mapa da mina, o modus operandi adotado por ele. Discorre sobre como escolheu o tema do poema e os elementos que o compõe, tais como: o clima, o ambiente, a extensão, o animal (o corvo), a palavra <b>NEVERMORE</b>. <i>"o trabalho caminhou, passo a passo, até completar-se, com a precisão e a sequência rígida de um problema matemático."</i> Neste ensaio Poe afirma que a composição do poema teve origem em um processo extremamente racional que, se reproduzido, resultaria num poema capaz de atingir suas intenções. Segundo Poe: <i>"compor um poema que, a um tempo, agradasse ao gosto do público e da crítica."</i> Por fim, eis aqui o motivo de minha releitura que culminou também nesta resenha: Há algum tempo nutria o desejo de fazer uma tatuagem. Esta, claro, só poderia ser literária. Dentre várias opções acabei por escolher uma que fizesse referência a este que é um dos autores que mais gosto e admiro.Optei por tatuar NEVERMORE. Incentivado por isso peguei o livro novamente para reler e assim confirmar minha escolha. Está mais que confirmado. Este livro é sensacional, vai muito além de apresentar algumas traduções do poema simplesmente, como pode sugerir o título. É um estudo aprofundado; uma valiosa aula.

    15 curtidas

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    4.4 / 219
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas13%
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    Edgar Allan Poe profile picture

    Edgar Allan Poe

    Segundo filho de David Poe e Elizabeth Arnold, ambos atores, Edgar Poe ficou órfão ainda criança e foi adotado por um casal rico de Richmond, Virgínia, Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Isso lhe permitiu ter uma educação de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Escócia e Irlanda com os pais adotivos. Regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientação dos melhores professores dessa época. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligência quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola. A seguir, verificou-se um período ainda pouco esclarecido na vida de Poe, no qual se registram viagens fora dos Estados Unidos. Retornou a seu país em 1829 e manifestou desejo de seguir a carreira militar. Foi admitido na célebre Academia de West Point, mas acabou expulso poucos meses depois por indisciplina. Com a morte da mãe adotiva, John Allan voltou a casar-se, com uma mulher muito jovem que lhe deu dois filhos. Isso impediu que Poe se tornasse herdeiro da fortuna paterna e ele se afastou da casa do pai adotivo, deixando Richmond. Após um período de relativa dificuldade, conheceu uma certa prosperidade ao vencer simultaneamente os concursos de conto e poesia promovidos pela revista "Southern Literary Messager". O fundador da publicação, Thomas White, convidou-o a dirigir a revista que rapidamente se impôs ao público. Durante dois anos, Poe esteve a frente do periódico, onde pôde exibir seu talento, que se manifestava num estilo novo, no conto e na poesia, bem como pelos artigos de crítica literária que revelavam seu rigor e sensibilidade estética. Escritor bem-sucedido, Poe casou-se com Virginia Clemm. Entretanto, ao fim de dois anos, White cortou relações com o escritor, que já desenvolvera a doença do alcoolismo. Poe passou a produzir como "free-lancer", em grande quantidade, mas sem ganhar o suficiente para manter uma vida digna e saudável, o que o levou a afundar-se ainda mais na bebida. A morte de sua mulher agravou o problema. O escritor passou a suicidar-se aos poucos, bebendo cada vez mais e já sofrendo os primeiros ataques de delirium tremens. Numa viagem a Nova York, para tratar de negócios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna onde se distraiu durante horas bebendo com amigos. Era a noite de 6 de outubro de 1849. O escritor morreu na madrugada do dia 7, aos 40 anos. Hoje Poe é um escritor estudado e cultuado em todo o Ocidente. Entre suas obras destacam-se: The Raven (O Corvo, poesia, 1845), Annabel Lee (poesia, 1849) e o volume Histórias Extraordinárias (1837), onde aparecem seus contos mais conhecidos, como "A Queda da Casa dos Usher", "O Gato Preto", "O Barril de Amontillado", "Manuscrito encontrado numa Garrafa", entre outros, considerados obras-primas do terror.

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    Massachusetts, Estados Unidas

    Edgar Allan Poe