A história de Jetsun Milarepa, da forma como é mais conhecida, foi narrada a seu principal discípulo, Rechung. São histórias sempre carregadas de altíssimos mistérios e ensinamentos perenes, aconteceu na caverna semelhante a um estômago de Nyanam, região na fronteira tibetana com o Nepal, próxima a Kyanga-Tsa, cidade onde Mila-Sherab-Gyaltsen (Mila, o Troféu da Sabedoria) nasceu, no século 11.
Milarepa - História de um Yogi Tibetano
W. Y. Evans-Wentz
Uma obra inigualável
Resenha – Milarepa: A História de um Yogi Tibetano (nota: 5/5) Para quem pratica o Dharma, a história de Milarepa não é apenas uma biografia espiritual — é um ensinamento vivo. Ler Milarepa: A História de um Yogi Tibetano é como receber um presente dos Budas. É impossível atravessar essa leitura sem que algo dentro de nós se mova. Como budista, senti minha fé se fortalecer. Senti também algo mais sutil e precioso: uma diminuição real do apego às coisas mundanas. O livro não prega — ele transforma pelo exemplo. ⸻ As fases da vida de Milarepa — uma jornada de queda e ascensão A grandeza da obra está em mostrar a trajetória completa de Milarepa, sem romantização. 1. A fase da vingança e da queda Milarepa não começa santo. Começa ferido. Após a morte do pai, sua família é humilhada e explorada pelos próprios parentes. Dominado pela dor e pelo desejo de vingança, ele aprende magia negra e causa destruição — inclusive mortes. Essa fase é brutal porque nos obriga a encarar que até um grande yogi já foi dominado por ódio e ignorância. É o retrato do samsara em sua forma mais crua. 2. O arrependimento profundo Depois da vingança, vem o peso do karma. Milarepa percebe a gravidade de suas ações e busca desesperadamente purificação. Aqui começa a verdadeira transformação. Ele encontra seu mestre, Marpa, e inicia uma jornada marcada por humilhações, trabalhos físicos exaustivos e testes aparentemente cruéis. Marpa o faz construir e destruir torres repetidamente. O sofrimento não é punição — é purificação. É quebra do ego. É o desmantelamento do orgulho e da ilusão. Essa fase é talvez a mais poderosa para nós praticantes: o caminho não é confortável. Ele exige entrega radical. 3. A ascese e a prática solitária Após receber os ensinamentos, Milarepa se retira para cavernas e pratica intensamente. Vive com quase nada. Alimenta-se de urtigas até seu corpo ficar esverdeado. Enfrenta demônios externos e internos — que são, na verdade, manifestações da própria mente. Aqui vemos o verdadeiro yogi nascer. Não alguém perfeito, mas alguém que encarou sua própria mente sem fugir. 4. A realização e a compaixão Milarepa alcança realização espiritual profunda e passa a ensinar. Suas canções espontâneas — os famosos “cantos de realização” — são simples, diretas e cheias de sabedoria. Ele ensina que tudo é impermanente, que o apego é fonte de sofrimento e que a mente é, ao mesmo tempo, prisão e libertação. Ele não nega o mundo — ele o transcende. ⸻ O que torna o livro tão transformador 1. A possibilidade real de transformação Se Milarepa, que começou sua vida dominado pelo ódio, pôde alcançar iluminação, então ninguém está perdido. Essa mensagem é profundamente esperançosa. 2. O enfrentamento radical do ego A relação com Marpa mostra que o caminho espiritual não é conforto emocional. É ruptura com o autoengano. 3. A impermanência vivida, não apenas ensinada O livro nos lembra que tudo passa — glória, dor, riqueza, sofrimento. Apegar-se é ilusão. ⸻ Impressão final Ler Milarepa não é apenas adquirir conhecimento — é renovar votos internos. É lembrar por que praticamos. É lembrar que o sofrimento pode ser combustível para despertar. Saí dessa leitura com a fé fortalecida e com menos apego às preocupações mundanas. É um livro excelente para quem é budista e profundamente enriquecedor para qualquer pessoa interessada em transformação espiritual verdadeira. Que todos possam se beneficiar desta história. Nota: 5/5
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