Boa Sorte Solano Dominguez é um quadrinho curto brasileiro de Wander Antunes, e arte de Mozart Couto. Com arte em preto e branco (eu sou fissurado por quadrinhos em preto e branco), e infelizmente não possuo a edição física, que contém ótima diagramação e qualidade de papel.
O enredo conta uma história que se passa em Cuba nos anos 50, repleta de malandros, boêmios e bastante machismo em seus personagens (que apenas reflete o ambiente da época), na qual envolve dinheiro, poder e prostituição. O ambiente facilmente se confunde com a década de 1920 do cenário carioca. Mudando os nomes, poderíamos transportá-los de Cuba para o Rio de Janeiro, com facilidade.
Solano Dominguez é um malandro que vive às custas da prostituição de sua mulher Maria e ganha bastante dinheiro com a reputação e beleza que ela possui. Entretanto, após um acidente num domingo ao sair da igreja, ela é atropelada e morre, matando também a fonte de renda de Solano.
Apesar de todo dinheiro recebido pelo cafetão, suas dívidas de empréstimos para seu vício com jogo faz com que ele caia em desgraça e seja ameaçado, caso não consiga pagar seus credores.
O cafetão renegou uma filha que teve com Maria, colocando-a num convento e pagando as mensalidades do internato. Porém, com a seca de sua fonte de renda e a falta de pagamento, as freiras devolvem sua filha, e que surpresa para Solano que constata que ela tem os atributos físicos da mãe e ainda a jovialidade. Solano decide leiloar a virgindade da filha, e colocá-la na vida, porém nem tudo sai de acordo com seus planos.
Um bom quadrinho, com uma pitada de sacanagem, no estilo Nelson Rodrigues, feito exclusivamente para o público adulto, com um roteiro levemente surreal e que mostra a inteligência e ousadia feminina, quando se trata de sobrevivência e adaptação.