No sétimo volume, MPD Psycho abandona qualquer resquício de linearidade tradicional e mergulha de cabeça em um território que mistura delírio ritualístico, guerra psicológica e ficção científica suja. O leitor, que já vinha sendo testado volume após volume, agora precisa lidar com uma história em que a realidade parece... opcional. A narrativa gira em torno de uma nova vertente do Projeto Lucy, que agora envolve cultos religiosos, clones programados para o martírio e uma simbologia pesada ligada à ressurreição e transcendência da mente. E não, isso não é exagero. Otsuka mostra os dentes ao explorar a relação entre fé, identidade e manipulação de massa, propondo uma reflexão sinistra: até onde a crença pode ser usada como ferramenta de controle absoluto? Enquanto isso, a “presença” de Nishizono acelera. A personalidade mais sádica do protagonista começa a se manifestar com mais frequência, mais poder e — o mais assustador — mais intenção. O leitor sente que o verdadeiro inimigo pode não estar fora, mas dentro do próprio herói. Se é que ainda podemos chamá-lo assim... Tajima, como sempre, está insano. Neste volume, ele brinca com elementos visuais de rituais e doutrinação. Temas religiosos, câmaras estéreis e cadáveres em posições simbólicas saltam das páginas como manifestações do inconsciente coletivo. Há momentos em que a arte parece um grito reprimido de trauma coletivo.

