Se você achou que estava entendendo a história, o Volume 8 chega para dizer: “Senta lá, Cláudia.” A narrativa avança com uma elegância macabra, revelando que o Projeto Lucy não é só uma conspiração militar, mas um experimento quase metafísico de apagamento e reconstrução da identidade humana. Neste volume, a trama se desloca para um novo cenário: uma pequena cidade aparentemente pacata onde nada é o que parece. E o que começa parecendo um arco de transição rapidamente se revela uma das peças mais importantes (e perturbadoras) do quebra-cabeça. A ambientação lembra um episódio de Arquivo X misturado com Twin Peaks em versão cyberpunk japonesa. Estranheza pura. O personagem principal continua num limbo existencial, cada vez mais dividido, quase em estado de colapso espiritual. Aqui, a narrativa abandona por completo o conceito de protagonista linear — temos, na prática, um corpo em conflito por espaço entre entidades psíquicas, sendo usado como ferramenta de investigação, manipulação e destruição. Além disso, surgem novas vítimas (e novos algozes) conectados aos códigos de barras e às personalidades fabricadas. Tudo isso reforça a ideia de que o Projeto Lucy não quer apenas criar assassinos: ele quer reescrever o conceito de “eu”. A arte de Tajima acompanha esse surto narrativo com páginas que parecem flutuar entre sonho e pesadelo. O design da cidade, os rostos neutros, a atmosfera surreal e o uso preciso de sombras tornam este volume um dos mais esteticamente marcantes da série até aqui.

