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    O fantasma do Mare Dei -

    George dos Santos Pacheco

    MULTIFOCO
    2010
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788579611803
    Português Brasileiro
    5
    2 avaliações
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    Existem suspeitas que um estelionatário procurado pela polícia embarcará em fuga para fora do país no navio de passageiros Mare Dei, um dos últimos de sua época. Para encontrá-lo foi colocado em seu encalço o jovem detetive Aquiles Balmant. Mas existe um problema. A polícia não tem uma descrição exata do bandido. O detetive não sabia seu nome, nem tinha um retrato falado. Apenas uma descrição fraca do que seria o homem que roubava dezenas de mulheres pelo Rio de Janeiro. Um quebra-cabeça para ninguém por defeito. Ele pode ser qualquer um... Muito católico, procura respostas em sua pequena bíblia de bolso, que carrega constantemente no paletó. Aquiles não imaginou que esse caso seria tão complicado... Para piorar, no meio das investigações, uma passageira, Sr.ª Helena Bragança, é encontrada morta, e o marinheiro que a encontrou se torna o principal suspeito, deixando o comandante do navio, o Capitão Américo, muito aflito. Terá sido coincidência? Ou um caso está ligado ao outro? Aquiles embarcou disfarçado do médico do navio, Dr. Henri Schneider, para facilitar as investigações, e tem como auxiliar o Tenente Rabello, um policial responsável pela segurança do navio. À medida que os suspeitos aumentam, o detetive fica mais confuso. O tempo corre e ele precisa chegar o mais rápido possível ao culpado. Sua bíblia é sua melhor conselheira e acaba se tornando peça chave na investigação. Numa trama envolvente, recheada de inveja, paixão, amor e religiosidade, Aquiles consegue descobrir ao final que o assassino é alguém acima de qualquer suspeita.

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    George dos Santos Pacheco picture
    George dos Santos Pacheco13/08/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O fantasma da Literatura Policial, por Haron Gamal

    Haron Gamal, professor e doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ leu O Fantasma do Mare Dei e fez uma resenha, publicada no jornal Folha Carioca, onde escreve, além de ser crítico literário do Caderno "Idéias" do Jornal do Brasil. É também autor do volume Magalhães de Azeredo – Série essencial da Academina Brasileira de Letras, professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Macaé – Fafima, autor do blog Contos e outras histórias. Contato: hjgamal@ig.com.br.. O fantasma da literatura policial, por Haron Gamal A ficção brasileira contemporânea possui verdadeira diversidade de temas, até mesmo o romance policial não deixa de estar bem representado. O preconceito, que sempre houve a respeito do gênero – considerado por muitos como literatura menor –, parece estar chegando ao fim. Escritores estreantes ou experientes muitas vezes optam por esse tipo de narrativa não apenas com o objetivo de conquistar maior número de leitores, mas para mostrar que se pode escrever boa literatura através de romances policiais. Talvez se possa dizer que todo grande autor gostaria de um dia conseguir escrever um bom romance policial; ou mesmo que, em toda narrativa, há uma espécie de enigma a se descobrir, o que remeteria às histórias policiais. George dos Santos Pacheco, com O fantasma do Mare Dei, estreia na ficção optando por nos contar uma história policial ambientada num transatlântico. A trama, com personagens que se perseguem mutuamente, tem resultados plenamente positivos. Para apimentar, além de uma interessante história de amor, há pessoas inescrupulosas tentando praticar falcatruas contra famílias ricas e contra o país. João Camargo é um marinheiro que trabalha no Mare Dei, navio que dentro de algumas horas partirá para Portugal. Um esbarrão em uma jovem junto à ponte de embarque acaba por aproximá-lo da mulher por quem vai se apaixonar. Mas ela é casada e tem um marido muito grosseirão. A seguir há o embarque de um detetive. Ele vem disfarçado de médico do navio, Dr. Schneider. Possuidor da informação de que um procurado estelionatário está no transatlântico tentando escapar para a Europa, ele tem como missão descobri-lo e prendê-lo. Depois que o navio parte, ocorrem a bordo dois possíveis assassinatos, o que complica a vida desse detetive, que nos momentos mais críticos se orienta pela bíblia. Daí em diante, cabe ao leitor continuar sua investigação e tentar decifrar os enigmas antes que o texto os revele. Personagens como o capitão Américo, comandante do navio, e a adolescente Catarina, também são muito bem construídos. O autor se mostra um mestre no difícil mecanismo de escrever diálogos, conseguindo criar períodos bem estruturados e construções frasais que aguçam a expectativa dos leitores. Nos dias de hoje, há muitas coleções que editam literatura do gênero, como a série policial da Companhia das Letras. A editora tem em seu cast autores das mais diferentes nacionalidades, como Dashiel Hammet, Manuel Vasquez Montalban, John Dunning, Patrícia Cornwell entre outros, e os brasileiros Tony Beloto, Luiz Alfredo Garcia-Rosa e Joaquim Nogueira. A Record edita Andrea Camilleri, criador do impagável Montalbano, comissário de Vigata, leitura divertida e obrigatória para todos os amantes do gênero. É importante que George Pacheco tenha optado por seguir a trilha desses grandes autores. O livro, no entanto, ressente-se de uma revisão mais apurada. Muitos escritores brasileiros, que não possuem chances nas grandes editoras, merecem editoras mais qualificadas do que a Multifoco. Aparentemente, ela não dá suporte editorial aos autores, deixando passar erros de digitação, ou mesmo escorregadelas gramaticais fáceis de serem corrigidas, caso a editora se preocupasse com a sua imagem no mercado. Deve-se ressaltar a história da decisão de George Pacheco pelas letras. Ao ver um debate sobre literatura num programa de TV, resolveu escrever um livro. O resultado foi plenamente satisfatório. Caso continue, não se deixando desanimar pela via-crúcis a ser percorrida por aqueles que desejam insistir na literatura, será um bom escritor. E é isso que constitui as literaturas nacionais: uma quantidade razoável de escritores que optam por todos os temas possíveis, sendo estes temas “eruditos” ou populares. Eis o parágrafo inicial do livro, para atestar a simplicidade e a eficácia deste narrador: “João Camargo sentou-se à sua cama e ficou olhando pela janela de seu pequeno apartamento. O tempo parecia bom, o sol ainda estava nascendo e corria uma leve brisa. Já era início de outono. Seria um ótimo dia para viajar ou para recomeçar. Era disso que ele precisava, de um recomeço.”

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    George dos Santos Pacheco

    George dos Santos Pacheco (Nova Friburgo, 7 de outubro de 1981) é professor e escritor. Graduado em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é membro da Academia Friburguense de Letras, e um dos autores da Coletânea “Assassinos S/A Vol. II”, e do romance “O fantasma do Mare Dei”, ambos publicados pela Multifoco Editora em 2010. Publicou também o conto "Nem só de pão vive o homem" na edição do 3º trimestre de 2011 da Revista Marítima Brasileira e recebeu Menção Especial no VI Concurso de Trovas do Grêmio Português de Nova Friburgo, no tema lírico-filosófico. Já contribuiu com diversos sites e revistas digitais tais como A Irmandade, Tertúlia, Démodé, e Puta Letra, entre outros. Em 2013, participou como mediador do Encontro Literário “Narrativas fantásticas - A Literatura da Invenção”, do Festival de Inverno Sesc Rio 2013. Ainda neste ano, foi premiado em 1º lugar, na categoria crônica, e em 2º lugar, na categoria conto, no 1º Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Troféu Affonso Romano de Sant'anna. Sua escrita se caracteriza por um estilo leve, simples e direto. Criador de personagens marcantes como a suicida Suzanne, em “Tarde demais para Suzanne”, o antropófago Barão Malheiros, em “O Jantar de Barão Malheiros”, e o violador de túmulos Edésio, de “O Caso do Violador da Noite”, George, nas palavras de Haron Gamal (professor e doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ), “se mostra um mestre no difícil mecanismo de escrever diálogos, conseguindo criar períodos bem estruturados e construções frasais que aguçam a expectativa dos leitores”.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    George dos Santos Pacheco