O abajur lilas + Oração para um pé-de-chinelo - peca em dois atos

    Plinio Marcos

    Parma
    1980
    54 páginas
    1h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Três mulheres sobrevivem como prostitutas à beira da marginalidade. Apesar das incontestáveis dificuldades deste cotidiano, tudo está como deveria. Até que um dia, tomada por um súbito acesso de raiva e o árduo desejo de provocar o proprietário do covil, uma delas quebra um abajur. Seu ato impulsivo inicia um grande conflito que aos poucos desemboca numa terrível tragédia.

    Resenhas (11)Ver mais
    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva30/08/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sempre considerei Plínio Marcos uma espécie de “herdeiro intelectual” de Nelson Rodrigues...

    ...por isso quis aproveitar a oportunidade de lê-lo na sequência de Nelson. Assim pude perceber mais as óbvias semelhanças entre os dois, e também notáveis diferenças. Assim como Augusto dos Anjos, outro célebre “maldito” e também muito caro a meu coração, Plínio e Nelson são poetas do sombrio, do grotesco, do escatológico. Os dois são movidos pelo apelo estético da feiúra, da tristeza, da maldade. Não pelo amor à feiúra em si: o que os move é a angústia de denunciar o feio no mundo. Os dois são, principalmente, moralistas! Denunciam o feio porque não o suportam, e com seu grande talento são capazes de transmitir essa angústia em suas peças. E aí nasce a principal diferença entre os dois. Nelson Rodrigues é principalmente o crítico dos costumes. Plínio Marcos é acima de tudo o reformador social. Nelson puxa sua plateia pelos cabelos e grita: vejam como o pecado é feio e gosmento! Plínio chuta a plateia no estômago e brada: vejam como a miséria e feia e abjeta! Outra diferença forte é que Plínio é absolutamente asfixiante. Não há brechas em suas trevas. Em Nelson, ao menos, encontramos o alívio da tensão em seus momentos de ironia e deboche. “O Abajur Lilás” é uma peça com cinco personagens: Dilma, Célia e Leninha, prostitutas da boca do lixo, Giro, seu cafetão homossexual e Osvaldo, o segurança brocha e sádico. O título da peça é esse porque no mundo sórdido e cruel descrito pelo autor, um reles objeto de terceira categoria tem mais valor que a vida humana. Triste, porém verdade. A edição que li é de 1979 (a peça foi escrita em 1975), e na época “O Abajur Lilás” estava proibido de ser encenado pela censura. Curiosamente, liberaram o texto impresso. Vá-se entender a infinita burrice da censura! (28.01.10)

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 138
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%