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    Cem quilos de ouro - e outras histórias de um repórter

    Fernando Morais

    Companhia das Letras
    2003
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-10: 8535904492
    Português Brasileiro
    4.1
    113 avaliações
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    Doze reportagens de um dos mais importantes jornalistas brasileiros, comentadas pelo próprio autor: cada texto é precedido de um breve making of - escrito especialmente para o livro - que revela como a matéria foi feita. Fernando Morais contextualiza os textos historicamente e introduz o leitor ao universo da reportagem, numa verdadeira aula de jornalismo. Cem quilos de ouro reúne doze matérias jornalísticas assinadas por Fernando Morais ao longo de uma carreira de quase quarenta anos. Escritas para os maiores veículos de comunicação do país, elas são uma amostra do trabalho de um autor que, como escreve Ricardo Setti na orelha do livro, tem "sangue, nervos, vísceras e alma de repórter". Reunidas e comentadas pelo próprio autor em breves making of escritos especialmente para o livro, as reportagens constituem uma verdadeira aula de jornalismo. O texto que dá nome ao livro trata do sequestro do empresário Guilherme Affonso Ferreira, o Willy, ocorrido na Bahia em 1988 (época em que esse tipo de crime ainda era raro no Brasil). Willy ficou cinco dias em poder dos sequestradores, que exigiram cem quilos de ouro para libertar o refém. A reportagem "O sonho da Transamazônica acabou" foi escrita quatro anos depois de Morais ter ganho o Prêmio Esso por uma reportagem pioneira sobre a rodovia, feita em 1970. Em 1974, o repórter percorreu 5296 quilômetros da estrada, desde João Pessoa, na Paraíba, até Cruzeiro do Sul, na fronteira do Acre com o Peru. O livro conta ainda com matérias sobre a guerrilha nicaraguense Frente Sandinista de Libertação Nacional, publicada em 1978; uma longa entrevista com frei Betto, de 1992; uma reportagem sobre o dia-a-dia do então presidente Fernando Collor de Mello em 1992 e um perfil do ex-presidente em 1995; uma entrevista sobre Assis Chateaubriand com Rubem Braga, Otto Lara Resende e Moacir Werneck de Castro, publicada em 1999; e, entre outras matérias, reportagens que o autor fez em Cuba, na década de 70, primeiros esboços do trabalho que culminaria no livro A Ilha.

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    Alexandre Figueiredo20/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os olhos atentos

    O jornalismo é uma atividade essencial. Não somente pela sua função dentro de uma sociedade ou pela bússola moral que supostamente guia quem o pratique. O jornalismo é essencial porque histórias reais também merecem ser (bem) contadas. Este “Cem quilos de ouro e outras histórias de um repórter”, lançado em 2003, do grande Fernando Morais, é um exemplo excelente do porquê histórias reais merecem ter o devido cuidado. São 12 reportagens selecionadas pelo autor que trazem a principal característica do bom jornalismo: os olhos atentos para boas pautas. Além disso, o livro tem uma adição importante: ao revisitar, dentro da sua extensa produção como homem de imprensa as histórias que selecionaria, Morais presenteia os leitores com os bastidores da feitura de um trabalho jornalístico exemplar. Em pouco mais de 300 páginas, os leitores têm encontro marcado com um sequestro que marcou época no Brasil, na história homônima que dá título ao livro; vão acompanhar os perrengues de um tempo em que o jornalismo mais sujava as botas do que trocava mensagens em aplicativos de conversa em “O sonho da Transamazônica acabou”; viajarão para a América espanhola em “Primeiro rascunho de A Ilha”, “O homem de Fidel na CIA” e “A guerrilha na Nicarágua”; conhecerão a intimidade que só os perfis podem oferecer em “Confissões do frade”, “Encontro marcado com Chatô” e “Ele mandou prender Pinochet”; e vão poder entender os dois lados de uma mesma moeda ao adentrar no egocêntrico universo de um presidente da República nos excelentes textos sobre Fernando Collor de Mello em “O Napoleão do Planalto” e “O solitário da Dinda”. Fernando Morais, ideologicamente canhoto por excelência, mostra nestas pequenas reportagens e matérias que é possível narrar uma história sem deixar a paixão cegar a lucidez, algo que talvez não possa ser dito dos seus grandes trabalhos biográficos, como “Olga” (1985) e “Chatô, o rei do Brasil” (1994), que pecam por pequenas invencionices que seu autor resolve colocar dentro do contexto histórico para “facilitar” a fluidez narrativa, algo que outros biógrafos do mesmo calibre, como Lira Neto e Ruy Castro, não fazem. Tirando esses deslizes, Morais é um dos grandes exemplos a ser seguido por todo e qualquer jornalista que leve sua profissão com seriedade. A realidade é que, seja narrando os bastidores de um crime que se tornaria comum no país - sequestro, no caso deste livro, do empresário Guilherme Affonso Ferreira, popularmente conhecido como Willy -, perfilando nomes importantes da história nacional como frei Betto ou o nosso controverso ex-presidente da República, o senhor Fernando Collor de Mello, ou ainda trazendo reportagens que fogem do padrão limitador do jornalismo diário como o perfil de Baltasar Garzón, juiz espanhol que mandou prender o ditador chileno Augusto Pinochet, além da montagem de uma figura do porte de Assis Chateaubriand através das lembranças de seus empregados mais íntimos em uma conversa informal captada por Morais com os jornalistas Moacir Werneck de Castro, Otto Lara Resende e Rubem Braga, o livro traz uma sensação amarga de nostalgia de um tempo em que a imprensa era mais respeitada tanto pelo público quanto pelos donos dos grandes veículos de comunicação. E isso, sem dúvidas, traz, na mesma proporção, certa alegria e tristeza a este leitor, pois mostra que o potencial jornalístico das histórias estão sempre à vista, bastam olhares atentos e competentes.

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    Fernando Gomes de Morais

    Fernando Morais nasceu em Mariana-MG em 1946. É jornalista desde 1961. Trabalhou nas redações do Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo e TV Cultura. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Foi deputado estadual durante oito anos (pelo MDB-SP e depois pelo PMDB-SP) e secretário da Cultura (1988-1991) e da Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo. É autor dos roteiros das minisséries documentais Brasil 500 Anos e Cinco dias que abalaram o Brasil, exibidas pelo canal GNT/Globosat. Escreveu, entre outros livros, Transamazônica (Brasiliense, 1970, com Ricardo Gontijo e Alfredo Rizutti), A Ilha (Alfa-Omega, 1975, reeditado pela Companhia das Letras em 2001), Olga (Alfa-Omega, 1985, reeditado pela Companhia das Letras em 1993), Chatô, o rei do Brasil (Companhia das Letras, 1994), Corações sujos (Companhia das Letras, 2000), Cem quilos de ouro (Companhia das Letras, 2002), Na toca dos Leões (Planeta, 2004) e Montenegro (Planeta, 2006). Tem livros traduzidos em dezenove países. Em 2001 Corações sujos recebeu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não-Ficção. Em 2004 Olga foi transformado em filme pelo diretor Jayme Monjardim, tendo sido visto por mais de cinco milhões de espectadores e indicado pra representar o país no Oscar de 2005. É membro do Conselho Político do jornal Brasil de Fato e do Conselho Superior da Telesur, TV pública latino-americana sediada em Caracas, Venezuela. É membro da Academia Marianense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 13, que teve como primeiro titular o presidente Tancredo Neves.

    21 Livros
    202 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Fernando Gomes de Morais