10/10
Quando peguei esse livro, confesso que achei que seria uma leitura chata. Menos de 40 páginas, capa simples… achei que não teria muito o que tirar dali, mas logo percebi que estava completamente enganada, esse livro é aquele tipo de livro que te faz refletir profundamente sobre a vida, as desigualdades e as escolhas que a gente faz. A narrativa se constrói em diálogos e histórias curtas, mas muito impactantes entre o jovem e o velho. O velho, cansado e descrente, diz que não há como mudar a realidade. O jovem, cheio de energia e esperança, insiste que quer mudar, quer fazer a diferença. É bonito (e doloroso) ver como essa conversa vai mexendo com o velho, até despertar nele um incômodo… quase um desejo de mudança que ele não queria sentir. O livro também traz relatos que doem. A história do pai que, consumido pelo ódio e pela frustração de não conseguir dar uma vida melhor para os filhos, acaba tirando a própria vida, foi uma das mais pesadas para mim. Outra, a “história da borracha”, me deixou com um nó na garganta: o velho conta que quando criança, chegou na escola e a professora deu a ele e aos colegas uma borracha escolar, e eles comeram a borracha porque não tinham o que comer. Apesar de curto, “Nuestra América” é um soco no estômago. Ele não traz respostas prontas, mas provoca perguntas que ficam ecoando muito depois que você fecha o livro. É impossível terminar sem repensar desigualdade, injustiça social e, principalmente, o papel que cada um de nós pode ter na mudança. Recomendo a leitura.

