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    Contos (Biblioteca Universal #Inglaterra) -

    Charles Dickens

    Editora Três
    1974
    250 páginas
    8h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    44 avaliações
    Leram86Lendo3Querem69Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos3Desejados69Avaliaram44

    Coletânea de narrativas curtas do escritor mais popular da Era Vitoriana, o inglês Charles Dickens (1812-1870), resgatadas das obras "Sketches by Boz" (1836), "The Pickwick Papers" (1836-1837), "Christmas Books" (1834-1848) e "Christmas Stories" (1850-1867).

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    Resenhas (4)Ver mais
    Nimrod Serrano picture
    Nimrod Serrano31/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Também foi um bom contista

    Embora comumente seja reconhecido pelos grandes romances que escreveu, Charles Dickens também se dedicou a arte do conto ao longo de toda sua carreira. Foi neste segmento literário que começou a dar seus primeiros passos como artista do povo vitoriano, publicando suas short stories sob o pseudônimo de "Boz." O presente volume busca nos aproximar do Dickens contista, compilando 12 contos e uma novela do autor,  divididos em quatro seções. A primeira refere-se à sua juventude literária, quando usava o pseudônimo "Boz". Aqui denotamos o prematuro esforço do autor em resgatar o gótico para a literatura, como exprime "O véu negro". Nesse conto, um mistério (arrepiante) culmina em um típico final tosco que afasta Dickens do ramo assustador da escola gótica. Destaco também o humorístico "Batizado em Boomsburry", que fala sobre um homem recluso que odeia as pessoas e extrai prazer do sofrimento alheio, até que um acontecimento o faz escalar em uma série de trapalhadas. Em seguida temos contos extraídos do primeiro romance do autor: The Pickwick Papers. São histórias paralelas, de vaga conexão com a aventura dos Pickiwickianos, portanto a leitura pode ser feita de forma independente da narrativa principal sem afetar a compreensão. Elas possuem mais uma vez um clima gótico e tratam de temas fúnebres, como loucura e fantasmas. Destaque para "A história do caixeiro viajante", que fala sobre uma curiosa cadeira falante e "Os duendes que raptaram o coveiro". Senti falta da emocionante narrativa de fantasmas contada quando o sr. Pickwick se reencontrou com o bufarinheiro zarolho. A segunda metade do livro é composta por histórias natalinas, sendo uma novela e mais quatro contos. São narrativas que buscam trazer ensinamentos e reforçar os valores sociais e morais inerentes a este evento: união, compaixão e humildade. A novela "Os Carrilhões", escrita na maturidade de Dickens, fala sobre Trotty, um homem que mantém uma relação peculiar com os carrilhões de uma igreja (conversando com eles) e trabalha de recadista na metrópole para sustentar sua família. Dickens repete uma prática corriqueira na sua literatura: expor o lado oculto da gloriosa Era Vitoriana. Aqui ele estabelece um diálogo acentuado com a luta de classes, mas não, não há algo como um "vão lá e derrubem os burgueses!", apesar do forte teor satírico. A velha mescla de pungência e otimismo. A última seção não foi tão interessante, mas sempre dá para achar uma pérola. "A história do limpador de botas" fala sobre a amizade um jardineiro com um jovem Sir que pretende se casar com a prima. Dickens critica com mais contundência o casamento culturalmente enraizado, assim feito às cegas, em seu memorável "David Copperfield". Quem já leu os romances de Dickens sabe do brilho que há neles. Esse mesmo brilho está presente em seus contos, porém atenuado. As emoções que o autor desperta em nós são mais fugazes, junto com os personagens. Infelizmente Dickens ainda não recebeu a devida atenção do mercado editorial brasileiro. A presente edição, lançada pela editora Três, em 1974, é uma das poucas coletâneas do autor que temos acesso.

    17 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 44
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas48%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
    Charles John Huffam Dickens profile picture

    Charles John Huffam Dickens

    Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a ser editados. Entre os seus maiores clássicos destacam-se "Oliver Twist", "A Christmas Carol" e "David Copperfield". Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado por sua mãe, tomou gosto pelos livros. Durante três anos freqüentou uma escola particular. Contudo o seu pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos. Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra. Em 1827, Dickens começou a trabalhar em um cartório. Apaixonado pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell, suportou a desaprovação do romance pelos pais da moça, que acabou se tornando indiferente a ele. Em 1832 conseguiu um emprego como repórter no jornal "Morning Chronicle". Passou a publicar crônicas humorísticas sob o pseudônimo de Boz, reunidas mais tarde como "Esboços feitos por Boz". Com isso Dickens ganhou espaço no jornal para apresentar os capítulos de "As Aventuras do Sr. Pickwick", que estabeleceu o seu nome como escritor. A 2 de Abril de 1836 Dickens se casou com Catherine Hogarth., com quem teve dez filhos. Dois anos depois começou a divulgar, em folhetins semanais, "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava os males sociais da era vitoriana. O romance era ilustrado por Cruikshank. Em 1838, Dickens escreveu "Vida e Aventura de Nicholas Nickleby", e, depois, "Loja de Antiguidades" (1840), "Barnaby Rudge" (1841) e "Martin Chuzzlewitt" (1843/44), escrito após uma viagem aos Estados Unidos. Em 1843, publicou o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol", ao qual se seguiriam outros, como "The Chimes" (1844), que escreveu durante uma viagem a Gênova e "O Grilo da Lareira" (1845). Em 1849 publicou um de seus mais conhecidos romances, "David Copperfield", inspirado em grande parte, na sua própria vida. Aos poucos sua obra se tornou mais crítica em relação às instituições inglesas. Seguem esta linha os seus livros "Assim São Dombey e Filho" (1847), "A Casa Sombria" (1852) e "Tempos Difíceis". Dickens separou-se da sua mulher em 1858. A causa da separação teria sido a atriz Ellen Ternan, que acompanhou o escritor até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente. Dickens escreveu ainda "História de Duas Cidades" (1859), "Grandes Esperanças" (1861) e "Nosso Amigo Comum" (1864). Nos últimos anos de sua vida iniciou o livro "O Mistério de Erwin Drood", mas morreu antes de concluí-lo.

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    Hampshire, Inglaterra

    Charles John Huffam Dickens