O livro apresenta uma análise profunda acerca do universo de O Leão, A Feiticeira e O Guarda-roupa. O autor traduz aspectos importantes da simbologia, dos significados e de detalhes da obra de C. S. Lewis que proporciona aos amantes do livro a compreensão mais ampla de um mundo em que o real e o imaginário andam juntos. Um verdadeiro making of da obra.
Os Bastidores de Nárnia -
Devin Brown
Os bastidores de Nárnia
O mais interessante no livro é ler mais sobre o processo criativo de Lewis. Personagens: Lúcia, Edmundo, Susan, Pedro. Sr. Tummus, Aslam, (Ann, Martin, Rose e Pedro) TRECHOS: Clive Staples Lewis, filho de um advogado do tribunal criminal e da filha de um erudito reitor, nasceu em 29 de novembro de 1898. Começou a escrever o livro com 50 anos. Lançado em 16 de outubro de 1950, pouco antes de completar 52 anos. Ele viveu em Kilns de outubro de 1932 até sua morte em novembro de 1963. Passava as noites em sua sala em Oxford e depois, mais tarde em Cambridge, onde deu aulas. Depois escreveu livros completando a série. O sobrinho do mago, em algumas fases, foi colocado como o primeiro livro, anterior ao Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Em 1980 a BBC fez a primeira adaptação em filme. A maior versão cinematográfica veio com o diretor Andrew Adamson, em dezembro de 2005, a partir da recepção positiva dos filmes Harry Potter e O senhor dos anéis, de Peter Jackson. Lewis diz que existe um tipo de livro que, ao mesmo tempo que encontramos prazer na leitura, sempre retornamos ao nosso mundo com o sentimento de que nossa vida nunca está à altura. Nós nunca pegamos o espião, nunca cavalgamos um pônei indomável, não somos amigos de mágicos. Lewis afirma que corremos para esse livro para escapar dos "desapontamentos e das humilhações do mundo real", mas, então, depois de um tempo, retornamos "desencantados e descontentes" para a realidade, para um mundo e para uma vida neste mundo que fica um pouco menos maravilhosa que antes. Lewis sugere que um segundo tipo de livro remove a névoa da mediocridade de nosso mundo e torna os eventos de nossa vida diária, bem como as pessoas que encontramos, mais especiais, não menos. Depois de ler esse livro não menosprezamos nossos amigos, nossos tornos ou nosso guarda-roupa, um pouco mais maravilhoso que antes. Vemos com nova perspectiva que, na verdade, nossos amigos são mágicos. A função-chave é encantar de novo um mundo desencantado. Toda uma geração cresceu lendo esse livro. "Todos os meus sete livros de Nárnia e os meus três livros de ficção científica começaram com a visualização de imagens em minha cabeça. No princípio, elas não eram uma história, mas apenas imagem. O leão, a feiticeira e o guarda-roupa começou com o quadro de um fauno carregando uma sombrinha e pacotes em um bosque de neve. Esse quadro estava na minha mente desde , eu disse a mim mesmo: vamos tentar fazer uma história sobre isso". O nome Nárnia pode ter sido inspirado na antiga cidade úmbria Nequinium, renomeada como Nárnia, segundo o nome do rio Nar, afluente do Tigre, pelos conquistadores romanos, em 200 A.C. Vários críticos fazem a comparação entre o sr. Tummus e o Coelho Branco de Alice no país das maravilhas. Como retornar à Nárnia? As forças que agem em Nárnia não se submetem à vontade humana. Lewis e outros do grupo Inklings ouviram O senhor dos anéis em prestações, entre 1937 e 1949. A série de 3 livros não foi publicada até 1954 e 1955. Lewis disse em seu prefácio para o livro Paradise lost (Paraíso Perdido), discute o mal como a forma doentia do bem, observando: "O que chamamos de coisas ruins são coisas boas pervertidas". Aslam contra o rei Franco, primeiro governante de Nárnia, dizia que ser rei significa ser o primeiro no ataque e o último na retirada. Lewis, ao usar o sonho como comparação, extraiu de sua experiência pessoal. De acordo com seu registro, nesse ponto da história ( o sonho de Aslam), o próprio Lewis não sabia exatamente o que aconteceria depois. Tendo in iniciado apenas com a descrição do personagem que se tornaria o sr. Tummus, ele chegou a esse ponto em sua história quando "subitamente Aslam salta para dentro dela". Lewis explicou: "Penso que devo ter tido muitos bons sonhos com leões por volta daquela época. À parte disso, não sei de onde o leão veio ou por que ele veio. mas, uma vez que ele estava lá, ele alinhavou toda essa história e, logo, rebocou as outras seis histórias de Nárnia atrás de si". Que efeito a jornada tem para nós? Primeiro, com certeza, supõe-se que nos identifiquemos com as crianças, a fim de aprender o que elas aprendem e de ser desafiados e encorajados com o exemplo delas. Em Edmundo, devemos enxergar nosso próprio egoísmo e autoengano e, por meio da história dele, somos capazes de começar a enfrentar essas faltas em nós mesmos. Pode-se dizer o mesmo em relação à destemina Susana que teve de vencer o medo. Como ela, podemos ficar mais dispostos a continuar "em busca da aventura que nos aguarda". Como Pedro, devemos aprender que podemos fazer mais, se apenas tentarmos, do que imaginamos. nossa admiração pela sensibilidade e compaixão de Lúcia em relação aos outros pode nos levar a nutrir essas qualidades em nossos relacionamentos pessoais. Segundo, quer os leitores vejam Aslam como uma figura-Cristo quer apenas como Aslam, ele, no final da história, compartilham a verdade que ele produz. As crianças, por meio dos encontros com ele, não apenas aprendem a confiar nele, mas também a acreditar em si mesmas e na capacidade dos que as rodeiam. Depois de conhecer Aslam, nós, como as crianças, aumentamos nossa convicção de que as coisas se resolvem, mesmo se para isso, às vezes, for necessário passar por grandes dificuldades e sacrifícios, e essas soluções, com frequência, sejam imprevisíveis. Por fim, mencionei na que Lewis, certa vez, classificou dois tipos de livros par crianças, fundamentando em seus efeitos. Um tipo que nos deixa menos contentes com nosso mundo costumeiro. O outro que nos ajuda a retornar ao nosso mundo com maravilhamento e admiração renovados. Tolkien reconhece esse segundo efeito como uma qualidade dos contos de fadas, pois eles são capazes de "limpar nossas janelas" da "monótona nebulosidade da banalidade e da familiaridade". Tolkien argumenta que esse tipo de história nos auxilia a recuperar o modo de "ver as coisas como devemos (ou deveríamos) vê-las. Ao fechar a capa de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, para parafrasear Lewis, não desprezamos os leões, as florestas, os guarda-roupas, os lampiões ou os castores verdadeiros do nosso mundo apenas porque lemos sobre os encantados. A leitura torna tudo que é real um pouco mais encantados. Em uma carta para um colegial nos EUA que pedia conselhos sobre como escrever, Lewis apresentou diversas sugestões práticas e entre elas estava ler "todos os bons livros que puder", desligando o rádio (hoje ele mencionaria também a televisão e o computador) e esforçar-se muito "para se clara". Lewis, perto do final da lista de sugestões, incluiu a seguinte recomendação: "Quando você se desesperar um pouco com um trabalho (a não ser que ele seja desesperadoramente ruim), não o jogue fora. Guarde-o em uma gaveta. Ele pode ser útil mais tarde. Muito de meus melhores trabalhos, ou o que penso ser os meus melhores, não passam de reescritas de coisas começadas e abandonadas anos atrás". O seu livro foi retirado de sua gaveta, concluído e publicado dez anos mais t, e prosseguiu sua trajetória até se tornar, como os leitores e o próprio Lewis parecem concordar, uma "das melhores obras" dele.
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