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    Romance sem palavras -

    Carlos Heitor Cony

    Companhia das Letras
    2002
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-10: 8571648824
    Português Brasileiro
    3.5
    138 avaliações
    Leram240Lendo2Querem110Relendo0Abandonos2Resenhas7
    Favoritos6Desejados110Avaliaram138

    No final da década de 60, a militância política entrelaça as vidas de Beto, Iracema e Jorge Marcos. Quase trinta anos depois eles continuam a se encontrar, mas seu relacionamento vai se caracterizando cada vez mais por ser apenas um vestígio do passado. O que os mantém unidos, na verdade, é o fato de ainda formarem um triângulo amoroso, desses que existem porque ninguém disse palavras a mais ou que podem terminar porque não havia mais nada a dizer.

    Resenhas (7)Ver mais
    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião26/11/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Mais uma ficção sobre os anos de ditadura civil-militar brasileira que só não entrou na série de sugestões (vejam os destaques no perfil) porque 1) eu ainda não havia lido e 2) não tinha conhecimento de qualquer texto crítico que falasse dele, bem ou mal. Encontrei por acaso num sebo, o título me chamou a atenção e quando li a sinopse, eita!, agarrei e comprei. . O livro foca nas vidas entre-e-pós-regime de três personagens que participaram da resistência à ditadura e formam um triângulo amoroso; dois deles, Beto (o narrador) e Jorge Marcos, se conhecem nos porões de uma prisão quando Jorge é despejado aos pés de Beto após uma sessão de tortura, e a terceira ponta, Iracema, uma estudante universitária profundamente engajada na luta clandestina. À medida que a narrativa de Beto se articula, no entanto, há um outro romance se escrevendo, aquele “sem palavras” do título, uma história não contada que só será entrevista no último capítulo do livro. . Uma imagem atravessa, de uma ponta a outra, a extensão desta novela de Cony: o corpo nu despejado de Jorge Marcos, preso político, na cela B17, sujo de sangue, doído e sem esperança, um “troço de carne ferida que mais parecia carniça” ainda com um pedaço de fio, usado para choques elétricos, saindo da uretra. Apesar de seguirem em frente, as vidas dos três protagonistas de Romance sem palavras serão profundamente marcadas por aquele fio. . Arrisco dizer que algumas das razões para o livro ter sido tão ignorado por quem estuda literatura e ditadura tenha a ver com certas informações equivocadas e imprecisões temporais que, por mais que não atrapalhem a narrativa, podem enfraquecê-la. Ou talvez se deva à imagem mesquinha de alguns membros da resistência (que chegam a colocar uma operação em risco ou lançar um companheiro nas mãos da polícia por ciúmes). De uma maneira ou de outra, vale sim a leitura para aprendermos como a literatura consegue transformar um fio elétrico em imagem aterrorizante e indelével.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 138
    • 5 estrelas18%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas42%
    • 2 estrelas12%
    • 1 estrelas1%
    Carlos Heitor Cony profile picture

    Carlos Heitor Cony

    Escritor, jornalista brasileiro, e imortal da Academia Brasileira de Letras.Estudou em seminário até quase ordenar-se, em Rio Comprido. Jornalista, foi um dos que se opuseram abertamente ao golpe militar de 1964. Como editorialista do Correio da Manhã, escreveu textos de crítica aos atos da ditadura militar. Já publicou contos, crônicas e romances. Seu romance mais famoso é de 1995, Quase Memória, que vendeu mais de 400 mil exemplares. Esse livro marca seu retorno à atividade de escritor/romancista. Seu romance, A Casa do Poeta Trágico, foi escolhido o Livro do Ano, obtendo o Prêmio Jabuti, na categoria ficção. (fonte:Wikipedia)

    104 Livros
    197 Seguidores
    Rio De Janeiro, Brasil

    Carlos Heitor Cony