A capa do livro é linda. O tema é até original. Mas o interessante do livro acaba aí.
A história se baseia no amor que Darina sente por Phoenix. Mesmo depois do rapaz ser assassinado, a menina continua a sentí-lo e vê-lo andando pela cidade do interior que ela vive. Quase indo à loucura, Darina descobre então que seu namorado é uma espécie de zumbi com asas, que pode andar e falar. E ele não está sozinho. Outros adolescentes da cidade que tiveram suas mortes inexplicadas habitam uma casa abandondonada, que Darina visita constantemente para reencontrar o amado. Para continuar esse contato com Phoenix, Darina resolve ajudar os mortos-vivos a desvendarem suas mortes. Cada volume da quatrilogia, seria então, a história de um dos zumbis-anjos.
Como disse antes, a idéia do livro é bem bacana. Uma mistura de sobrenatural com policial, onde o leitor seria convidado a participar da caça ao assassino, desvendando mistérios e vivendo o amor que Darina nutre por Phoenix. Mas isso na teoria.
Na prática, o que temos em mãos é um livro extremamente raso, personagens mal trabalhados e protagonistas irritantes. Darina é uma adolescente raivosa e mimada. Todas as suas falas começam ou terminam com um grito ou berro. Revoltada com o mundo, ela cansa o leitor com suas atitudes características da idade, mas que poderiam ter vindo em doses menores. É difícil ler um livro quando você simplesmente não simpatiza com a protagonista.
Fora isso, a autora exagera no número de personagens sem ao menos dizer para o que vieram. Imundar o contexto com inúmeras vidas é artifício apenas para confundir o leitor. Talvez esse seja um dos maiores erros que algum autor possa cometer. Existe no livro o amigo de infância, o amigo do colégio, a amiga de fulano, o amigo do pai do borracheiro da cidade ... vários personagens que não acrescentam em nada na narrativa e você mal lembra dele quando citado novamente. Aí você se pergunta: Pra quê colocaram esse cara na história? Talvez para dar uma idéia de "população"? Isso funcionaria em um filme, série de TV, mas em um livro NÃO! Mesmo Jonas, sendo o coadjuvante desse breve volume, tem sua vida (e morte) pouco explorada.
Ficaria feliz ao pegar o segundo volume, Arizona, e constatar que tudo que li até o momento tenha sido apenas uma jogada de caso pensado da autora. Ver que a adolescente raivosa amadureceu (e continua crescendo com o caminhar da história), e que os moradores da cidade terão um papel importante, mas algo me diz que isso não irá acontecer (Mas tenho esperanças, certo?).
Sabe quando você classifica um filme morno, feito apenas para passar o tempo, como "sessão da tarde"? Esse livro se encaixaria nessa descrição! Você lerá e esquecerá.