“Você erra com uma força que não se pode deter? errar com essa violência é mais bonito do que acertar”
Engraçado como alguns livros, por mais que a gente já os tenha há muito tempo, nos surgem (ou nos despertam) para lê-los apenas no momento certo. Apesar do início difícil, passado por ele, me pareceu em muitos trechos que Clarice estava escrevendo de dentro do meu coração, prescrutando com muita atenção meu íntimo, meu agora...
Não é um livro fácil, ele é intenso, volumoso, uma avalanche de sentimentos e sobretudo de sensações, um brilho intenso de luzes que iluminam o escuro íntimo e chegam a ofuscar quem não está com os olhos (e o corpo todo) preparado. Clarice é genial, é bruxa, é mistério, é luz e escuridão, é transparente e opaca, é solidão e companhia, uma tristeza alegre e uma alegria sombria.
Possível spoiler à frente então não leia o resto se pretende ter uma experiência com mais surpresas na leitura:
O livro me pareceu um irmão mais velho, menos compreendido (e mais esquecido) de A Hora da Estrela. E eu sei que é horrível comparar irmãos, Clarice, me desculpe. Mas há muitos elementos que se conversam: a protagonista procurando se entender como gente/pessoa que vive e sente coisas e não sabe exatamente o que fazer com elas, em meio a uma vida de miséria em relações e desencontros, os fluxos de pensamento, os destinos trágicos.. já estava tudo lá, desde o começo (este, o segundo livro) até o último.