Toda experiência com a vida parece seguir um procedimento descontrolado. E numerar a vida parece ser impor um registro afásico, pode-se dizer. Mas não tanto, se esta numeração segue um devir que indica uma outra proposição, como a da vertigem. Penso no filme de Abbas Kiarostami que tem o mesmo título desta reunião de textos aqui, mas com o registro do número: 10. Um filme que toca uma espécie de poesia discreta da imagem, de uma terra desamparada e de um cinema que quer retormar uma certa ancestralidade da imagem, uma imagem antes e sem direção nenhuma, sem diretor.

