Faz tempo, uma garotinha, Luiza Helena Lauretti, apareceu com um álbum. Na capa, uma figura. Dentro todas as páginas ainda em branco. Pediu a Osman Lins, amigo de seu pai, que escrevesse alguma coisa como lembrança, abrindo o álbum. Osman Lins escreveu o que chamou Exercício de Imaginação, baseando-se na figura da capa. Isso em 1966. Muito tempo depois, recordando cenas de infância, Osman Lins e eu nos lembramos dos quadros colocados em cavaletes, nas salas de aula, que as professoras mostravam para descrição. Verificamos então que ele – no interior de Pernambuco – e eu, no centro de São Paulo – havíamos aprendido a redigir através do mesmo método, desenvolvendo trabalhos sobre os mesmos quadros. Esses quadros nos atraíam. E mal terminávamos a lição, queríamos saber qual o próximo. Às vezes, passando pelo cavalete, espiávamos. E no recreio ou na volta para casa já pensávamos no que escrever sobre o desafio seguinte. Falando com pessoas, amigos de diversas idades, e com escritores, soubemos que todos – tendo estudado também em tão diferentes locais – recordavam os mesmos quadros. Pensamos, então, em criar este livro. Se quando éramos crianças e a professora mandava, a gente escrevia sobre eles – hoje, o que faria cada um, o que dentro de nós despertariam essas imagens? Osman Lins deu o título: Lições de Casa. Não fez a sua. Saiu da classe antes dos outros. Fiquei com tantas recordações de sua infância e ele levou tantas da minha, que achei ser um sentimento de amor essa troca de impressões. E há tão pouco amor no mundo, seria bom realizar este projeto e escritores darem uns aos outros e aos leitores em geral lições de casa criadas agora, tanta vida depois, sobre as mesmas ingênuas figuras. A idéia foi aceita com grande simpatia, também pela Melhoramentos, que nos cedeu gentilmente para estas fotos o único exemplar do seu arquivo. E pela Novo Norte, que tornou possível esta edição. Cada autor escolheu o quadro que seria seu ponto de partida para o exercício. Alguns quadros não foram escolhidos. Não aparecem neste livro, mas decerto serão lembrados. Os autores criaram os exercícios isoladamente, sem que uns vissem, durante a criação, os trabalhos dos outros ou trocassem idéias a respeito. Como no colégio, houve prazo e entrega. Pouco tempo para cada exercício – menos de um mês. Mas todos compreenderam e, solidários, os entregaram pontualmente. Todos, menos um. O do aluno que escreveu o título, deixando as páginas em branco. O aluno que apesar de querer tanto ficar, teve que ir. A idéia foi aceita com grande simpatia, também pela Melhoramentos, que nos cedeu gentilmente para estas fotos o único exemplar do seu arquivo. E pela Novo Norte, que tornou possível esta edição. Cada autor escolheu o quadro que seria seu ponto de partida para o exercício. Alguns quadros não foram escolhidos. Não aparecem neste livro, mas decerto serão lembrados. Os autores criaram os exercícios isoladamente, sem que uns vissem, durante a criação, os trabalhos dos outros ou trocassem idéias a respeito. Como no colégio, houve prazo e entrega. Pouco tempo para cada exercício – menos de um mês. Mas todos compreenderam e, solidários, os entregaram pontualmente. Todos, menos um. O do aluno que escreveu o título, deixando as páginas em branco. O aluno que apesar de querer tanto ficar, teve que ir. A idéia foi aceita com grande simpatia, também pela Melhoramentos, que nos cedeu gentilmente para estas fotos o único exemplar do seu arquivo. E pela Novo Norte, que tornou possível esta edição. Cada autor escolheu o quadro que seria seu ponto de partida para o exercício. Alguns quadros não foram escolhidos. Não aparecem neste livro, mas decerto serão lembrados. Os autores criaram os exercícios isoladamente, sem que uns vissem, durante a criação, os trabalhos dos outros ou trocassem idéias a respeito. Como no colégio, houve prazo e entrega. Pouco tempo para cada exercício – menos de um mês. Mas todos compreenderam e, solidários, os entregaram pontualmente. Todos, menos um. O do aluno que escreveu o título, deixando as páginas em branco. O aluno que apesar de querer tanto ficar, teve que ir. Mas aí seu exercício apareceu, vindo dos guardados de uma garota. E vimos que Osman Lins saiu muito cedo da classe mas deixou sua lição feita, há muito tempo, e nela não só a idéia desses exercícios, mas nesse texto delicado, escrito a mão, para uma criança, algumas sementes que germinariam em Avalovara e em A rainha dos cárceres da Grécia. E toda a sua marca – a personalidade de seu estilo, a riqueza de sua imaginação. Apresentação de Julieta de Godoy Ladeira
