Resenha escrita para a Revista Itajaí, que será publicada em janeiro/2012: Neste mês de dezembro (2011) finalmente terminei as 702 páginas da excelente biografia política de Stalin (1879 - 1953), o ditador russo (que criou também a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e participou da Revolução de Outubro, ou Revolução Bolchevique, junto com Lênin, Trotski e Cia, e que derrubou o império dos tsares russos em 1917. Creio que essa biografia de Ióssif Vissariónovich Djugashvíli (o verdadeiro nome de Stalin, já que Stalin quer dizer “homem de aço”), seja uma das melhores, tanto que ela foi escrita e publicada ainda com o próprio biografado vivo!, em 1948 – esta versão contém um trecho que vai até a morte de Stalin. E, mais surpreendente, escrito por Isaac Deutscher (1907 - 1967), um jornalista que foi perseguido por Stalin mas, que tentou deixar uma biografia o mais imparcial possível. Tanto que, uma das críticas, se é que isso pode ser uma crítica, ao livro fala exatamente isso: se gostares de Stalin, vais gostar ainda mais; se odiares Stalin, odiarás ainda mais.
Pessoalmente, creio que concordo plenamente com uma parte da obra que diz que Stalin foi necessário ao tempo em que viveu. Não precisaria ter feito o que fez (os famosos expurgos stalinistas, onde milhares – os “milhões”, ao que parece, foram exagerados além da conta pelos inimigos – foram mortos na Rússia por questões políticas internas), provavelmente não, mas, também, se não fosse Stalin, talvez hoje o mundo fosse comandado por um sucessor de Adolph Hitler. E não é exagero dizer isso, já que, como é sabido (porém, não muito), a URSS foi o país que mais teve baixas na 2ª Guerra Mundial e saíram dela praticamente devastado, e, isso feito, com esse sacrifício praticamente imposto pela Alemanha que queria tomar o maior país do mundo, deixou-se o flanco oeste da Europa para que a coalizão pudesse conseguir derrubar a tentativa de formação do 3° Reich. Porém, ainda assim, quem conseguiu entrar em Berlim e finalmente acabar com aquela parte da Guerra (já que ela não acabou ali – terminaria em agosto com as dois primeiros – e únicos, até hoje – ataques da bomba atômica pelos Estados Unidos no Japão) foi o Exército Vermelho, que rechaçou os alemães de boa parte da URSS e os empurrou até a capital, o que foi, aos poucos, enfraquecendo e dando suporte para as invasões pelo oeste.
Enfim, se não fosse quem fosse, se não tivesse acontecido tudo o que aconteceu, talvez os muitos milhões de mortos soviéticos, os muitos milhões de mortos judeus, os muitos milhões de mortos europeus, estadunidenses, teriam todos sido em vão. E está aí uma biografia que merece ser lida, merece ser conhecida, apesar dos pesares. Esta edição que li, é da editora Civilização Brasileira, de 2006 e com tradução de Luis Sérgio Henriques.