O primeiro sentimento ao me deparar com o livro “ Quem e Como Fizemos a TV Globo”, foi o de desconfiança, pois em quase 20 anos de pesquisas informais sobre o assunto, jamais havia ouvido o nome de Luiz Eduardo Borgerth como um dos componentes do núcleo duro da emissora, fato esse destacado no texto da capa e da orelha da obra.
Pouco tempo depois, ao encontrá-lo novamente em uma tradicional feira de livros montada no Centro do Rio de Janeiro, resolvi dar uma segunda chance ao volume. Infelizmente aquela primeira impressão acabou se confirmando.
O fato do autor não ser citado naquilo que considero a bíblia dos anos inaugurais da TV Globo, o livro “O Campeão de Audiência”, a autobiografia de Walter Clark, escrita em parceria com Gabriel Priolli, certamente não é mero acaso. Borgerth no máximo pode ser considerado um executivo de terceiro escalão do canal 04 carioca, embora esteja o tempo inteiro tentando provar o contrário. O verdadeiro centro decisório daquilo que viria a ser a maior emissora do país era formado por Borjalo, o americano Joe Wallace (que recentemente lançou as suas memórias sobre a Globo), Daniel Filho, Armando Nogueira, Boni e o já citado Walter Clark. A freqüente tentativa de Borgerth de se atribuir maior importância do que a que realmente teve, soa constrangedora a quem conhece o mínimo da história da TV no Brasil.
Outro sério problema do livro é a potencial hierarquização que alguns personagens recebem ao longo da narrativa, ou seja, segundo critérios subjetivos, Luiz Eduardo Borgerth classifica algumas figuras da formação da Globo como protagonistas (em que ele mesmo se inclui), coadjuvantes e figurantes. Sobram aberrações em tais escolhas.
Para finalizar, há uma dispensável “reflexão”, sobre muitos aspectos ininteligível, sobre “a violência na televisão” repleta de clichês e de análises de terceira mão supostamente acadêmicas. Lamentável sob todos os ângulos.