“Mínima Idéia” (Sêlo Editorial) ostenta, já desde a capa, sua filiação à vertente experimental da poesia brasileira. Aberta, portanto, ao erro, como diria Oswald de Andrade. E, claro, Bruno arrisca – e erra – o quanto pode em seu primeiro livro. Pode-se apontar, restritivamente, em seus poemas, um excessivo apego às facilidades oferecidas pelo computador como editor de textos, mas o leitor atento perceberá que tal gesto nada tem de ingênuo ou deslumbrado (“se você prestar atenção/ vai perceber que eu/ não presto”, diz, ambivalente, num dos poemas mais enxutos e realizados do volume, que ecoa o Paulo Leminski de “distraídos venceremos”). O que não se pode é ignorar o empenho de Bruno de ler a seu modo – provocando o diálogo e o atrito – o passado recente e o presente mais vivo da poesia brasileira. Seu lema bem pode estar neste bom poema, que exibe o prazer da criação de sutis cadeias fônicas e da exploração do espaço da página: “lesma a esmo/ mesmo sem conversa/ mesmo que dispersa/ num banho de sal”. [Ricardo Aleixo, poeta, músico e performer, MG]
Mínima Idéia -
Bruno Brum
Sêlo Editorial
2004
66 páginas
2h 12m
ISBN-10: 8590345025
Português Brasileiro
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