Récit autobiographique d'une enfance iranienne, entre guerre et révolution, à travers le regard d'une petite fille qui, devenue adulte, s'exile définitivement en France après avoir étudié les beaux-arts dans l'Iran islamique. Initialement paru en 4 volumes.
Persepolis - Monovolume
Marjane Sartrapi
Entre culturas
Comecei a ler Persepolis por indicação de uma amiga e por dois interesses específicos: praticar o francês e descobrir o mundo dos quadrinhos. Umas das primeiras coisas que percebi é que os olhos de todos que já haviam lido o livro brilhavam quando o nome era mencionado, mas, sem mais informações, comecei a leitura. Persepolis tem um desenho simples, notadamente marcado pela predominância do preto, porém muito expressivo e algumas vezes surpreendente. A história é contada de forma leve apesar de tratar de assuntos como a guerra, preconceito, ideologias e repressão. Até mesmo os estudos da pequena Marji sobre o marxismo não toma a forma de aulas teóricas ou didáticas. A história da protagonista Marjane é incrível e extremamente comovente. Sua visão nativa da cultura e do dia-a-dia do Iran não nos leva a ler o livro com nossos próprios preconceitos culturais. Ao contrário, conseguimos nos colocar no lugar dos iranianos, pelo menos por alguns minutos, e entender um pouco do que é viver em tempos de guerra ou ter que se exilar em outros países para fugir a repressão. O sofrimento de Marjane na Austria (Autriche) foi a parte do livro que menos me tocou por um tempo, até perceber como ilustrava bem a vida de milhares de refugiados no mundo que vivem entre a angústia de preservar suas tradições e sua integridade ao mesmo tempo que tentam se integrar na cultura de seu novo lar, muitas vezes se situando em um interstício onde não se pertence mais a lugar algum. Essa é apenas uma das questões que podem ser suscitadas pelo livro. Não poderia (nem quero) realmente resenha-lo aqui, apenas farei como a minha amiga e o indicarei para vocês. Se livros como O caçador de pipas te instigaram a conhecer melhor a cultura e a realidade dos habitantes do Oriente Médio, Persepolis é, sem dúvida, uma leitura fundamental, por recorrer a linguagem dos quadrinhos e não cair em uma narrativa melodramática. Sobre a edição em francês, estudantes de nível avançado não terão dificuldades em lê-lo, mas acredito que até estudantes em um nível intermediário conseguem acompanhá-lo. Poucas palavras são realmente novas e mesmo muita delas são compreensíveis no contexto, o que garante um enriquecimento vocabular.
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