Cosmopolis
TOULMIN, Stephe. Cosmopolis: the hidden agenda of modernity. Chicago: University of Chicago Press, 1992. O pós-moderno marca e arquitetura e os debates críticos da economia, sociedade e política. Peter Druker, nessa análise, remonta a modernidade e sua associação ao Estado-Nação que clama por soberania nos séculos XVII e XVIII. Toulmin questiona os marcos do início e do possível fim da modernidade. As idéias filosóficas de racionalidade desenvolvidas no século XVII em diante foram inspiradoras da modernidade. A racionalidade foi desenvolvida na filosofia por Decartes e na ciência por Galileo. Os filósofos abriram novos caminhos para pensar a natureza e a sociedade. O processo de racionalização trouxe consequências para o sistema político dos Estados europeus e o desenvolvimento da ciência. Para Toulmin a modernidade é uma “coisa boa” porque trouxe prosperidade e conforto material advindos da industrialização. A revolução intelectual lançada por Galileo Galilei e René Decartes tem dois aspectos: a revolução científica que conduziu para invenções no campo da física e astronomia e o nascimento de um novo modelo de filosofia. A leitura histórica da modernidade sofreu alterações. Na década de 1930 a modernidade colocou menos ênfase na tecnologia. Na análise dos historiadores da época, a modernidade não tinha a mesma força. Na década de 1950 tinha-se uma imagem de crise geral do século 17. Essa análise ignora os conflitos das ciências naturais, a reforma dos dogmas e a pouca expansão da educação dos leigos. A cultura laica da modernidade foi produto do século XVII. Um dos objetivos dos filósofos daquela época era a re-contextualização das questões filosóficas. A racionalidade produz um novo contexto. A renascença lançou as primeiras sementes da modernidade, mas produziu poucas mudanças políticas e institucionais. Com a renascença os textos da literatura antiga passam a estar disponíveis para os leigos. Os acadêmicos da renascença tinham o foco na retórica e na lógica de forma complementar. No século 16 o chamado humanismo cético levou Decartes à criação do método da dúvida sistemática a qual buscava negar teses filosóficas gerais. Durante o século XVII os insights da renascença foram perdidos. Os filósofos desse período colocaram de lado quatro tipos de conhecimento prático: o oral, o particular, o local e o oportuno. A passagem do oral para o escrito foi marcada pela busca de validade dos argumentos escritos e não orais. Depois da década de 1630 a tradição da filosofia na Europa ocidental se concentrou na análise formal dos argumentos escritos. O movimento do particular para o universal deu-se pela separação da ética como campo de abstração teórica geral separada dos temas da prática moral. A moderna filosofia não estava concentrada em casos particulares, mas em compreender os princípios gerais da teoria ética. John Dewey e Richard Rorty consideram que a filosofia se tornou “moderna” a partir do trabalho de René Decartes. Para Montaigne parte da nossa humanidade acontece pela aceitação da responsabilidade sobre nosso corpo, nossos sentidos os quais precisamos controlá-los. Para os racionalistas a racionalidade não é limitada a intelectualidade. O contraste entre a prática modesta e a liberdade intelectual da renascença e as ambições teóricas e reação intelectual deram origem à modernidade, que por sua vez abriu novas possibilidades. Os racionalistas buscavam elevar a epistemologia, a filosofia e a metafísica para fora do alcance do contexto de análise. Depois de 1650 a Europa viveu graves problemas de reconstrução política e intelectual. Depois das guerras religiosas houve a necessidade de certezas. A guerra dos trinta anos terminou por exaustão e aponta para um novo sistema de soberania. Nesse quadro ocorre mudança na hierarquia da igreja medieval entre o clero e os acadêmicos. Com a paz de Westphalia cada soberania escolhe sua religião oficial. Assim, a soberania deixa de ser vinculada ao poder divino. Cromwell acreditava que a Inglaterra era a terra escolhida por Deus. Já na França, a paz de Westphalia foi seguida de turbulência. Luis XIV, o rei sol, tornou-se a personificação do Estado. O novo sistema Europeu de estados, construído sobre o apelo da nacionalidade, precisava de política balanceada, não apenas de estrutura diplomática, e a criação de uma sociedade de classes. Depois dos tempos catastróficos entre 1618 e 1655, uma nova e auto-suficiente ordem social estava gradualmente se estabelecendo, uma nova Cosmopolis que substituía a ordem da natureza pela ordem da sociedade. A reconstrução social após o século 17 trouxe dois problemas: a restauração da comunicação entre as nações que por longo tempo estiveram divididas em visões teológicas e lealdade religiosa; e reconstrução das relações entre pessoas que vivem em relações feudais. Depois de 1660 o desenvolvimento de novas idéias de estrutura social tinha grande importância. Na visão de Leibniz era necessário o princípio da razão suficiente. Leibniz e Newton assim como Descartes tinham o foco na descontextualização das idéias e argumentos. A comunicação de diferentes lados seria possível pelo método racional, na visão de Decartes. Leibniz defendia uma linguagem, um sistema universal de caracteres que possibilitava a expressão dos nossos pensamentos e a comunicação entre todos os países. O ecumenismo foi apresentado por Leibniz como meio de conciliação para evitar conflitos. O projeto de Leibniz não passava de um sonho, sua contribuição para filosofia foi a busca por remediar a situação da Europa de seu tempo. Os sonhos do método racional, uma ciência unificada de uma linguagem exata unificava-se em um único projeto. O diálogo entre as nações da Europa foi o primeiro passo. O segundo passo era a construção de um corpo de conhecimento que transpusesse religiões e países. Newton vai além de Decartes, ele inaugurou a prática de pesquisa colaborativa. Newton mergulha nos estudos da física em busca de padrões. Depois de 1660, Newton abriu caminho para uma nova idéia de ciência. A nova estrutura da ciência moderna localizada sua audiência no clero anglicano inglês e na oligarquia educada. As propostas de novas disciplinas fora da estrutura da modernidade desenvolviam-se na periferia. A partir de 1660, a família e o Estado foram moldados como a ordem da natureza, o abrangente sistema sobre a natureza e a humanidade que formou o andaime da modernidade foi um aparelho social político e científico. Entre 1660 a 1914 foi a maré alta da nacionalidade soberana na Europa e da visão de natureza chamada estrutura da modernidade. Depois de 1914, no entanto, as idéias científicas e práticas sociais foram questionadas assim como a soberania absoluta. A nova ênfase na unidade, estabilidade e integridade da nação com foco na organização do Estado e da sociedade modernos, foi mais um ideal filosófico do que verdadeiramente uma descrição da política. A unidade da nação foi, no entanto, a base da legitimidade política na teoria. Cosmopoliticamente o processo de desenvolveu-se de forma diferente em cada país. Cada geração de filósofos interpretou a fronteira do significado da ciência ao seu modo, para encontrar as demandas para a sua situação. A primeira doutrina a ser questionada foi a negação de que a natureza tem uma história. Posteriormente foi questionada a geologia histórica, a re-ligação entre racionalidade e casualidade, humanidade e natureza.