Este livro é uma reportagem histórica. Para realizá-la, o jornalista Leonardo Attuch entrevistou os principais personagens da época. Ouviu autoridades como o ex-ministro Delfim Netto, o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, o ex-presidente da Petrobras, Armando Guedes e o brigadeiro da Aeronáutica Hugo de Oliveira Piva, um dos mais brilhantes cientistas brasileiros, que ajudou o Iraque a desenvolver seus sistemas de mísseis balísticos e foi convidado a participar do programa nuclear de Saddam Hussein. Outros empresários, com maior envolvimento no Iraque, como Murillo Mendes, da Mendes Júnior, Wolfgang Sauer, da Volkswagen, e João Verdi, da Avibrás, também foram entrevistados. Todos fizeram revelações inéditas, que permitem lançar luzes sobre um período rico e pouco conhecido da história brasileira.
Saddam o amigo do Brasil - A história secreta da Conexão Bagdá
Leonardo Attuch
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Ver maisAmigo do Brasil ou dos brasileiros que toparam dar suporte aos seus projetos de poder?
Aborda um tema superinteressante, mas é cheio de contradições. Como achei muitas delase o livro não vai a fundo na análise (se é que existe), acabei comprando mais três livros que abordam o tema: ‘O Lobby da Morte’, de Kenneth R. Timmerman; ‘Rede de Intrigas’, de Roberto Lopes; e mais recentemente, ‘A Indústria de Defesa no Governo Lula’, de Renato Dagnino. Após lê-los, coloco aqui minhas impressões. Vamos ao que interessa... Pontos positivos: 1) Reconhece, inclusive na entrevista com Delfim, que o Brasil, na figura do cientista militar General Hugo Piva – ‘O Von Braun Brasileiro’ –, estava, sim, ajudando o Iraque a preparar uma bomba atômica e que teria havido inclusive o transporte de material radioativo, yellow cake, por avião, secretamente, para aquele país. Digo isso, pois alguns personagens de peso envolvidos negam veementemente esse fato em reportagens. Ponto para o autor. 2) Tenta traçar um Saddam mais ‘humano’ inserido num jogo geopolítico que teria ‘boas intenções’ em desenvolver o Iraque numa região controlada por interesses das grandes nações por causa da abundância em petróleo. Ponto positivo, pois sempre temos que ouvir ambos os lados de qualquer ‘contenda’. Porém, o faz de forma simplista e amadora. Pontos negativos e considerações: 1) Em momento algum fala das atrocidades cometidas contra o vizinho Irã ou contra os Curdos, com uso de armas químicas contra civis. Inclusive há registro filmado de uma ocasião; 2) O livro diz que o embargo causou a morte de centenas de milhares de crianças e toda sorte de misérias. O que não duvido, mas ao mesmo tempo o próprio autor, somente no Epílogo, reconhece que Saddam no mesmo período detinha riqueza pessoal enorme com “palácios suntuosos” e se envolveu em “guerras temerárias” (contra o Irã e/ou Kuwait? Não é claro); 3) O autor do livro sugere que o não perdão ou flexibilização de uma dívida de USD 8 bilhões de dólares do Iraque com Kuwait, bem como a proximidade dês te último com o Reino Unido e os EUA teriam sido os motivos para a invasão iraquiana como sendo ‘preventiva’. Bem, é interessante, pois aquelas duas potências que invadiram o Iraque são criticadas no livro por usarem esse termo ‘preventiva’ (por não ter havido provocação). Mas no caso do Iraque seria legítimo? O que o ‘amigo’ faz é de possível justificação, caso contrário, é condenável?! É jogo de futebol? Lembra famosa passagem bíblica, Deuteronômio 25:13-16: : “13 Não terás na tua bolsa pesos diferentes, um grande e um pequeno. 14 Não terás na tua casa duas efas, uma grande e uma pequena. 15 Terás peso inteiro e justo; terás efa inteira e justa; para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. 16 Porque é abominável ao Senhor teu Deus todo aquele que faz tais coisas, todo aquele que pratica a injustiça.” (obs: há outras traduções que não alteram a mensagem) (obs2: não sou crente, coloquei o texto todo da Bíblia, pois muitos, como eu, não sabem a origem de termo tão importante para esse país em que há pouquíssima imparcialidade e racionalidade na análise de qualquer assunto) 4) Ainda em relação à invasão do Kuwait, o autor diz que houve grande destruição da infraestrutura do Iraque e morte desnecessária de centenas de milhares de soldados iraquianos. O que concordo. Mas não comenta da destruição e saques que ocorreram no país invadido e o incêndio proposital dos poços de petróleo do Kuwait na retirada passam como ‘side effect’ do conflito; 5) Na entrevista com Antônio Delfim Neto, este faz uma série de elogios ao projeto do líder Iraquiano, mas reconhece que “(...) ele cometeu erros monstruosos em função da sua ambição militar e política.” Minha pergunta é: será que os projetos, louváveis, como inclusão da mulher (no mundo árabe) no meio educacional, aos moldes ocidentais, não teria sido fachada para ganhar apoio do Ocidente? [Só uma reflexão]; 6) Entrevista do diplomata Flecha de Lima: o mesmo “amigo do Brasil” foi quem reteve mais de 400 funcionários brasileiros, como se fossem reféns do regime. Ao lermos a entrevista deste ex-embaixador é possível extrair essa conclusão quando diz “reteve por lá muitos estrangeiros já imaginando que Bagdá iria ser arrasada pelas bombas.” E depois reconhece que os empregados da Mendes Junior só foram liberados por intervenção desse embaixador que usou como “argumento de que depois daquele episódio iria ser muito mais difícil uma empresa brasileira querer trabalhar no Iraque.” Grande amigo esse, hein?! Queria na verdade implementar seu projeto a qualquer custo; 7) Juro que esta foi a que me irritou mais e não diz necessariamente ao autor, mas vale destacar o que Sr. Murillo Valle Mendes disse em entrevista em que disse: "(...) eu continuo com a mesma idéia de que o Brasil pode ser grande. Naquela época, todos acreditavam nisso. Era um sonho muito bonito." Sério!? 'Muito bonito' é recentemente a operação Lava Jato desmarcar esses projetos de desenvolvimento nacionais (e internacionais) e mostrar que não passaram de projetos de enriquecimento pessoal com toda sorte de sobre preços, pagamento de propinas e desvios de recursos para os países, que o próprio entrevistado diz que deveríamos nos "(...) libertar do julgo dos países hegemônicos." Engraçado que o lucro deles vai para contas nesses "países hegemônicos". Há outras que não quis comentar. Após minhas considerações, alguns podem achar que minha intenção demonizar Saddam e justificar qualquer ação norte-americana e Britânica. Não. Porém, este líder, sabendo das regras de geopolítica, inclusive tendo ele ambições nada modestas e similares aos das nações ‘imperialistas’, deveria saber melhor que ninguém as consequências que suas megalomanias infligiriam em seu povo, como de fato aconteceu. A meu ver, se realmente se importasse com o povo iraquiano, teria tomado uma série de medidas diferentes que certamente levariam ao desenvolvimento de todos (não só dos sunitas ligados ao partido Baath), sem dar justificativas para invasões e retaliações do resto do mundo. Já em relação às trocas comerciais brasileiras com o Iraque, é impossível não reconhecer que houve benéficos para o país pela situação macroeconômica da épooca, com falta de reservas e necessidade urgente de adquirir petróleo. O assunto é complexo e exige outro foro para discussão, mas uma coisa deve ficar clara: diversos negócios foram fechados em nome do Brasil, mas na verdade foram benéficos a grupos bem pequenos. Serve de lição para negócios similares, envolvendo o nome da nossa nação, que estão voltando a acontecer com aquela região. Espero que o final não seja o mesmo ou até pior.
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