A edição é formada por três textos, todos eles trazendo uma interpretação sobre o "Gênesis". Da maneira como foram reunidos nesse volume da "Patrística", não estão dispostos em ordem cronológica; em verdade, o escrito mais recente (e completo) de Agostinho vem logo no início dessa edição, composto por 12 livros. O texto seguinte, contra os Maniqueus, foi o primeiro escrito dessa natureza, de acordo com a explicação que nos é dada na Introdução - e é recomendável começar por ele: mais palatável e deixa o leitor adaptado ao modo agostiniano de abordar a questão. O texto que encerra o volume, um comentário inacabado, foi escrito num período entre os dois primeiros - e aqui, o estilo é mais árido. Agostinho se detém sobre a criação e o que aconteceu nos 6 dias, interpretando os acontecimentos. As passagens bíblicas a esse respeito são enfocadas de modo até mesmo um pouco monótono (o que não deixa de ser surpreendente, em se tratando de Agostinho).
O escrito composto por 12 livros também traz a mesma atenção dedicada aos 6 dias (e no mesmo estilo que pode cansar um pouco o leitor). Mas apresenta, também, riquíssimos e cativantes comentários acerca do homem e da mulher; da tentação que esta sofreu; a serpente e o diabo... enfim, são várias as apreciações dessa natureza.
O livro 12 traz considerações importantes acerca do conhecimento sob a ótica agostiniana, bem como sobre a visão (corporal, espiritual e intelectual). Aqui, de maneira didática o bispo de Hipona expõe suas ideias a esse respeito.
É um volume que traz importantes textos do bispo de Hipona, sobretudo no que se refere à teologia. E em várias passagens, vislumbram-se também elementos filosóficos.