Dioguinho - O Matador dos Punhos de Renda - O Matador dos Punhos de Renda

    João Garcia

    Casa Amarela
    2002
    325 páginas
    10h 50m
    ISBN-10: 8586821187
    Português Brasileiro

    A morte ou a sobrevida de Dioguinho, o mais notável bandido caipira do interior de São Paulo no final do século 19, alimentam até hoje contos no imaginário nacional, nas histórias fantásticas que correm na boca do povo. Ele é cantado em prosa e verso, narrado em disco, em filmes nacionais, e, agora, nesta livro, que recupera com requintes de pesquisa lingüística, e grandeza literária, um período marcante da vida brasileira.

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    Ana Letícia Brunelli de Moraes13/09/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um resgate da cultura do oeste paulista

    Enquanto leio um livro, costumo ir enxergando a história, seus lugares, cenas e personagens em minha mente. Mas no caso deste livro, minha imaginação conseguiu ir muito além. Sua história para mim teve cor, som, cheiros e lembranças. Seus personagens me pareciam velhos conhecidos. Muitos casos parecidos eu cresci ouvindo contar, muitos lugares da história eu conheço e ainda frequento (moro em um deles), ainda hoje ouço muito desse jeito de falar (eu mesma ainda uso um pouco desse sotaque e dessas expressões, se eu não tomar cuidado), e muitas passagens narradas no livro eu já vivi e ainda vivo, como atirar manga do chão nas mangas boas na árvore e 'comê inté tojá'. Do personagem principal do livro eu já havia ouvido falar, e apesar de já terem se passado cento e vinte anos de seu desaparecimento, ele ainda é lembrado por muitos na região, e suas histórias continuam exercendo um certo fascínio. Nada se sabe com muita certeza, devido ao afastado do tempo e das diversas versões que se espalharam. Mas o personagem resgatado no texto do jornalista João Garcia é cativante justamente por sua dualidade. Um homem com todas as possíveis falhas e acertos de todo ser humano, e um interessante representante daquele período histórico, da região onde viveu e de toda a cultura daquele contexto. Capaz tanto de atos de maldade e crueldade, como também de heroismo, bondade e compaixão, não duvido que tenha sido uma personalidade intensa para a época, despertando medo e carisma, a ponto de manter o interesse popular em suas histórias até hoje. Além do personagem central, João Garcia traz em seu livro uma vasta gama de personagens e situações muito representativos da região até os dias de hoje. Personagens como o Manino (narrador da história), o Curitibo, entre tantos outros, que perecem velhos conhecidos meus, ou mesmo pessoas com quem convivo. Foi uma grata descoberta esse livro. Uma história que dá 'sodade no peito e vontadi qui num termine é nunca'. "O sô Diogo era ansim mêmo, carculo que meio iguar tudo mundo : bão dum jeito, ruim do ôto". "Vai se que a vida é ansim mêmo? Navegano pra frente largano sodade pra trais?"

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