Enquanto leio um livro, costumo ir enxergando a história, seus lugares, cenas e personagens em minha mente. Mas no caso deste livro, minha imaginação conseguiu ir muito além. Sua história para mim teve cor, som, cheiros e lembranças. Seus personagens me pareciam velhos conhecidos. Muitos casos parecidos eu cresci ouvindo contar, muitos lugares da história eu conheço e ainda frequento (moro em um deles), ainda hoje ouço muito desse jeito de falar (eu mesma ainda uso um pouco desse sotaque e dessas expressões, se eu não tomar cuidado), e muitas passagens narradas no livro eu já vivi e ainda vivo, como atirar manga do chão nas mangas boas na árvore e 'comê inté tojá'.
Do personagem principal do livro eu já havia ouvido falar, e apesar de já terem se passado cento e vinte anos de seu desaparecimento, ele ainda é lembrado por muitos na região, e suas histórias continuam exercendo um certo fascínio.
Nada se sabe com muita certeza, devido ao afastado do tempo e das diversas versões que se espalharam. Mas o personagem resgatado no texto do jornalista João Garcia é cativante justamente por sua dualidade. Um homem com todas as possíveis falhas e acertos de todo ser humano, e um interessante representante daquele período histórico, da região onde viveu e de toda a cultura daquele contexto.
Capaz tanto de atos de maldade e crueldade, como também de heroismo, bondade e compaixão, não duvido que tenha sido uma personalidade intensa para a época, despertando medo e carisma, a ponto de manter o interesse popular em suas histórias até hoje.
Além do personagem central, João Garcia traz em seu livro uma vasta gama de personagens e situações muito representativos da região até os dias de hoje. Personagens como o Manino (narrador da história), o Curitibo, entre tantos outros, que perecem velhos conhecidos meus, ou mesmo pessoas com quem convivo.
Foi uma grata descoberta esse livro. Uma história que dá 'sodade no peito e vontadi qui num termine é nunca'.
"O sô Diogo era ansim mêmo, carculo que meio iguar tudo mundo : bão dum jeito, ruim do ôto".
"Vai se que a vida é ansim mêmo? Navegano pra frente largano sodade pra trais?"