O Bazar Atômico - A Escalada do Pobrerio Nuclear

    William Langewiesche

    Companhia das Letras
    2007
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788535910605
    Português Brasileiro

    Um artefato simples, de tipo tubular, "que qualquer pessoa poderia hoje construir em uma garagem", destruiu Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945, causando a morte de 150 mil pessoas. Cientistas que desenvolveram outras bombas como essa logo compreenderam que estavam propagando um conhecimento com potencial para produzir o suicídio global. Ao longo das décadas seguintes, porém, os países que dominaram o ciclo de produção de bombas nucleares se deram conta de que a impossibilidade de defesa contra um ataque nuclear era, de fato, a verdadeira defesa contra ele. Na avaliação de um velho protagonista da Guerra Fria, uma das fontes do jornalista William Langewiesche, as grandes potências hoje estão encalacradas com os arsenais nucleares que não podem usar. O perigo, alerta ele, é que esses artefatos se tornaram “a arma dos pobres”. Esse é o ponto de partida da inquietante investigação de Langewiesche. O autor primeiro nos leva a uma das antigas "cidades secretas" da ex-União Soviética, que nem sequer existiam nos mapas, e onde hoje o governo americano investe milhões de dólares na tentativa de reaparelhar e proteger velhas instalações atômicas. É uma expedição por um mundo quase sobrenatural, em que se misturam burocracia, paranóia, despreparo e humor negro.

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    refugiosdasletras17/05/2020Resenhou um livro
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    Mesmo com os dias da Guerra Fria deixados para trás, o terror de uma guerra nuclear ainda persiste. Inicialmente deixando de lado as hipóteses de conflitos entre nações, o jornalista William Langewiesche explora as opções e possibilidades para o desenvolvimento de armas nucleares em pequena escala, o ideal, por exemplo, para uma célula terrorista. Suas conclusões são preocupantes e tranquilizadoras ao mesmo tempo, pois apesar de a chance de fazer funcionar tal esquema seja ínfima, as consequências são catastróficas. É incrível o nível de pesquisa e aprofundamento do jornalista, que se deslocou para o olho do furacão a fim de encontrar respostas fora do senso comum e de pessoas ligadas diretamente à fonte do problema. A segunda parte do livro se ocupa em tentar explicar como evoluiu a situação de países considerados menos importantes no contexto global mas que conseguiram - ou tentam conseguir - acesso às armas nucleares, com destaque para Paquistão, Índia, Irã e Iraque. Em alguns momentos se concentra em pessoas específicas, cientistas, políticos e celebridades, deixando o leitor um pouco apreensivo em perceber como o futuro da humanidade pode ser definido por ações de poucos. Novamente, ao mesmo tempo que preocupa, o autor tem o cuidado de tranquilizar. Sua conclusão é que a proliferação atômica é inevitável, porém com os devidos cuidados pode vir a ser inofensiva. Uma boa leitura curta para os curiosos sobre o assunto, mas não indicada aos ansiosos.

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