SUDD -

    Gabi Martinez

    Rocco
    2010
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788532525512
    Português Brasileiro

    Em plena região subsaariana, o Sudd é uma das maiores áreas inundadas do mundo. Seus canais tortuosos e incertos e as grandes massas vegetais que bloqueiam a navegação fazem do Sudd um labirinto móvel. É nesse reino de fronteiras instáveis que parte o navio La Nave numa odisseia na qual os conceitos de civilidade se tornam tão movediços quanto as fronteiras da inóspita região. No aclamado romance do catalão Gabi Martínez, Sudd é simultaneamente título e personagem de uma trama comparada a clássicos da literatura como O coração das trevas, de Joseph Conrad, O deserto dos tártaros, de Dino Buzatti e Os nus e os mortos, de Norman Mailer. Fruto de uma viagem feita pelo autor no Nilo, desde suas fontes até Alexandria, Sudd é um magnífico romance de aventura e, ao mesmo tempo, uma parábola da civilização. O romance narra os rumos de uma expedição criada com fins pacifistas, reunindo empresários, políticos e representantes de tribos locais, numa travessia pelo coração da África, região que viveu em conflito por mais de vinte anos. No caminho, encontra-se uma zona pantanosa de enormes proporções e fronteiras mutantes. Um terreno que não se deixa desbravar. Uma geografia hostil e devoradora. O Sudd. Poucos dias após o início da viagem, o capitão do navio morre numa emboscada miliciana, a tripulação se vê sem o GPS, sem sinal nos celulares e à deriva entre as inúmeras ilhas do pântano. Os tripulantes não têm outra opção a não ser aliar-se, como numa pequena Babel. Chineses, árabes e ocidentais, ricos e pobres, feridos e sãos precisam pôr de lado suas diferenças com o comum objetivo de sobreviver. Desta situação, emerge a figura do tradutor, um eterno secundário que, graças ao domínio dos idiomas, descobre seu poder sobre a tripulação do navio. O anônimo protagonista e narrador da última obra de Gabi Martínez, um tradutor espanhol, descobre o poder que tem sobre petroleiros, homens de negócios e a população comum. “Em La Nave, ninguém estava do meu lado. Mas todos dependiam de mim.” O que começa como uma narrativa de viagem se transforma numa trama psicológica. O Sudd se desenvolve como uma personagem à parte, que é descrito não só por suas características físicas, mas por suas “condições emocionais”. Segundo o autor, “o Sudd é uma metáfora moderna sobre a deriva do ser humano num mundo labiríntico que se move sem cessar. Além disso, põe em primeiro plano um tema muito atual, o diálogo e as disputas entre pessoas de civilizações diferentes, de culturas muito distintas.” Com perfeita tensão dramática e manejo do suspense, Gabi Martínez coloca o leitor neste labirinto de terra e água, fazendo-o participar de angústias e incertezas, mas também da luz e dos odores da África profunda.

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    Larissa02/05/2020Resenhou um livro
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    SUDD - GABÍ MARTINEZ

    ⚓ "Os verdadeiros perigos estão dentro do homem, são eles que fazem o estrago." (Pág. 28) ⚓ "Agora posso tranquilamente afirmar que passei aqueles anos como que dopado, num transe perene que parecia sem fim, numa apatia que me esvaziava e tirava de mim qualquer desejo de tomar uma atitude." (Pág. 30) ⚓ "A imensidão do território, além de impressionante, começava a tornar-se oprimente. As aleatórias combinações de água e terra não apresentavam soluções nem indícios de saída e, se vez por outra parecíamos vislumbrar alguma, tínhamos de aproveitar de imediato, pois logo a seguir a possibilidade se esvaía e tudo voltava a formar um inextricável hieróglifo para o qual de nada adiantavam experiencia nem previsões. Vivíamos em constante expectativa. Os nossos nervos começavam a ceder." (Pág. 129) ⚓ "A qual era nos tinha devolvido aquele lugar? O navio tornara-se uma jaula onde era difícil distinguir o arcaico do moderno, os tempos se confundiam assim como a realidade. A que época havíamos aportado? Quando? E também cabia a pergunta: onde? O que nos distinguia dos náufragos ancestrais? Que sentido tinha, ali, o futuro?" (Pág. 199) ⚓ "Há momentos em que o impensável dá um passo adiante e toma corpo na consciência assumindo outra dimensão." (Pág. 205) ⚓ "É preciso viver o desespero para saber que nem sempre o tempo é suficiente. Dizem que as feridas cicatrizam, mas isso não é lá um grande consolo. Quase todas as antigas feridas doem quando o tempo muda. E o tempo nunca deixa de mudar." (Pág. 268) ⚓ "Acredito que muitas dores seriam mais suportáveis se pudéssemos contar com pessoas que nos amassem de verdade, você não acha?" (Pág. 269) ⚓ "Eu ia dizer algo que nunca repetiria. - Mas agora... sei com certeza que posso querê-la até o fim. O meu amor não poderá esgotar-se. Muito em breve você vai morrer." (Pág. 319)

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