Nesse livro acompanha-se o contexto da revolta da chibata, uma revolta que para muitos caiu em esquecimento, apresenta documentos históricos como falas dos próprios navegantes e suas reivindicações, além de falar um pouco da vida de João Cândido. De modo pessoal, eu particularmente gosto muito de história, mas eu gosto quando um acontecimento envolve uma luta totalmente popular contra desigualdades, que, muitas delas, assolam o Brasil contemporâneo, como o próprio racismo que também é palta dessa revolta e que por isso por muitos não é legitimada, pelo protagonismo negro. No livro, apresenta a luta de João Cândido e ele como herói nacional, ou melhor, o almirante negro e como este lutou contra a violenta herança da escravidão. Agora, em última instância, eu gostaria de fazer um comentário sobre a música que inicia o livro "Mestre-sala dos mares" de João Bosco e Aldir Blanc, (eu adoro essa música, um samba muito bonito) ela comemora o legado eterno de João Cândido e faz crítica a modelos históricos que dão maior relevância à acontecimentos, muitas vezes, da elite e não dão voz às lutas da classe popular, que teve mais impacto na realidade que muitas lutas inglórias mas estas não esquecemos jamais, ao contrário de lutas gloriosas, como a revolta da chibata, que o único monumento que traz a sua lembrança publicamente são "as pedras jogadas no cais".