"Por rua entendia-se um espaço indeterminado e elástico que ia apenas até a esquina para os mais novos e se expandia com a idade da molecada e com a audácia das brincadeiras, chegando a ultrapassar as fronteiras do bairro na época de São João, quando o lema parecia ser: onde o balão cair, lá estaremos! A rua era também mais do que um ginário poliesportivo, era nosso espaço social, nosso território defendido a paus e pedras das hostes inimigas, onde exercíamos nossas simpatias e antipatias, e onde observávamos,com desejo e temor disfarçado de sarcasmo, os movimentos do grupamento do sexo oposto." Com esta prosa inteligente e afiada, o designer Ettore Bottini revela-se um escritor. Mãe da rua narra o dia-a-dia de uma turma de meninos, nos seus doze anos, talvez os últimos a desfrutarem da experiência de crescer brincando na rua. O tom memorialístico não significa uma mera volta ao passado, o menino Ettore ainda reverbera no adulto. Mais do que recuperar uma cidade perdida, renascem nas páginas desta enciclopédia de jogos e afetos toda uma vivência paulistana. [texto da quarta capa desta edição]

