Schopenhauer - Os Pensadores

    Arthur Schopenhauer

    Nova Cultural
    1991
    270 páginas
    9h 0m
    ISBN-10: 8513002372
    Português Brasileiro

    Na efervecência filosófica que caracterizou a época do Idealismo Alemão, fase que sucedeu imediatamente à filosofia kantiana, Schopenhauer se destaca pela originalidade e pela amplitude de suas concepções. Opondo-se com firmeza a Hegel, o que lhe valeu o ostracismo no início de sua carreira filosófica, vê na Vontade a origem do conhecimento e da arte. Influenciou profundamente os primeiros escritos de Nietzsche e nota-se a presença de suas idéias mesmo nos textos de maturidade deste filósofo. Como todos em sua época, Schopenhuaer parte da filosofia de Kant, tentando encontrar um fundamento originário que propicie a reunificação do sujeito teórico e do sujeito moral, que Kant havia separado de forma absoluta. Em sua filosofia há ressonância do pensamento oriental e forte impregnação de um conteúdo pessimista como resultado da concepção de uma Vontade que se objetiva sem cessar mas que nunca encontra o meio de se realizar plenamente.

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    Clio18/05/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Mundo como Vontade e Representação (III parte), Crítica da Filosofia Kantiana, e Parerga e Paralipomena (capítulos V, VIII, XII, XIV) foram os escritos escolhidos para comporem esse volume da coleção os Pensadores. Mas por quê essa miscelânea ao invés de uma obra completa? Porque essa é a forma mais simples de tomar contato com o pensamento do filósofo; Eles apresentam a proposta do autor envolvendo o mundo como realidade, as bases para tal ideia e a forma como ela foi aplicada a outros temas. Schopenhauer propunha o mundo como irracional e ateu. A força que formaria esse universo seria a vontade, ela também irracional, focada em impulsos incontroláveis. Para o autor, vida é sofrimento (diferente de Aristóteles, por exemplo). Assim, é a vontade, o querer que traz a dor e apenas a ausência dessa ânsia poderia levar ao alívio (não confundir com felicidade). A crítica quanto a Kant é o conflito entre a teoria "homem como criação divino" e "homem como criação da vontade". É preciso ler algo da tese kantiana para entender esse texto? Não, mas certamente ajudará a entender que Schopenhauer também fundamenta boa parte de seu trabalho em Kant - para apoiar e desenvolver (na concepção do conhecimento da realidade) ou discordar. Por fim, embora não seja o foco, esse livro também oferece o contato com o pessimismo filosófico que mais tarde influenciará Nietzsche, cujo niilismo está tão em moda. É uma ótima edição da Nova Cultural feita com material de qualidade, biografia, bibliografia e notas de suporte.

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