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    Os donos do poder - volume 2 - Formação do patronato político brasileiro

    Raymundo Faoro

    Publifolha
    2000
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-10: 8574021962
    Português Brasileiro
    4.1
    18 avaliações
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    Favoritos0Desejados78Avaliaram18

    Os Donos do Poder integra um seleto grupo de obras fundamentais voltadas para a compreensão do Brasil. Jurista de formação, o autor combina com maestria os instrumentos da sociologia, do direito, da história e da ciência política para elaborar um estudo amplo, que vai desde a colônia até a revolução de 1930. O clientelismo, as dificuldades em separar o patrimônio público dos bens privados, os obstáculos para a construção de um Estado Moderno, baseado nos preceitos legais, são algumas características da realidade que Raymundo Faoro procura analisar, em busca de suas origens e especificidades. Arriscando a sua leitura nesse sentido, ao pensar em uma formação da classe política dominante, Faoro projeta sobretudo uma genealogia dos donos do poder, visto que será sempre a continuidade, o vitalício, o hereditário, a tradição, todos esses elementos posteriores à própria história narrada, as linhas por meio das quais ele solicitará o narrar historiográfico. Trata-se de uma história épica da formação do Brasil sob o ângulo das suas elites. Ainda assim, a matéria política do seu livro parece conter o resgate ou a reclamação de outra história nacional para o Brasil. Portanto, se alguma matéria política pode ser encontrada neste livro, uma matéria que não é ofertada ao leitor por pura curiosidade do pesquisador ou diletantismo intelectual, ela parece estar também no enigma histórico, no enlace entre um passado político e o seu reflexo em um presente nacional permanentemente prisioneiro da sua história. Partindo desse ponto, alguns temas da sociologia e da política brasileira serão pensados tendo como espectro essa genealogia ou formação do patronato no Brasil. Um deles será a relação público/privado, relação que diz muito a respeito da composição patrimonial-burocrática de Portugal. A tênue separação entre o público e o privado, herdada da tradição monárquica portuguesa, marca a política brasileira desde o tempo em que era colônia, persistindo o seu traçado mesmo quando a família real retorna para Portugal, já no século XIX. A obra da Independência de 1822, na perspectiva de Faoro, fora arrasada por essa metafísica do poder central, que controla e conspira contra os sucessos de uma política liberal no Brasil. Por isso, numa leitura atenta de Os Donos do Poder, pensar a história do Brasil será repensar essa metafísica, visitar a antiga casa portuguesa, ao encontrar no seu mobiliário tradicional peças de uma suposta arquitetura política atual. Conforme foi proposto inicialmente como tema deste artigo, pode-se ler o livro de Faoro como um importante marco de confecção e criação de estilos na nossa historiografia, importando essa escrita da história na mesma medida em que interessa a matéria narrada, pois a história do Brasil, travada nos limites da sua fundação, “sombra coada entre sombras, ser e não ser, ir e não ir, a indefinição das formas e da vontade criadora” (FAORO: 271), parece reclamar algum intérprete, por fim, que não a aguardaria lá embaixo subterrânea às suas pressões. Este pode ter sido o principal mérito de Os donos do poder: acordar a história brasileira do seu sono secular, nostálgico e, muitas vezes, sem o saber, elogioso, da tradição portuguesa. Teríamos cumprido essa missão lançada por Faoro? É a partir dessa pergunta que apresento a atualidade ou não dos clássicos da interpretação nacional. (por Marcelo Diana)

    Edições (3)

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    Resenhas (4)Ver mais
    Marconi picture
    Marconi13/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livrao

    Uma grande resumo de seis séculos partindo do estado português se esticando até o período da mudança política ocorrida no Brasil com a revolucao de 1930. Esse livro nos explica o pq esse país é do jeito q é.

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    Raymundo Faoro profile picture

    Raymundo Faoro

    Raimundo Faoro (Vacaria, 27 de abril de 1925 — Rio de Janeiro, 15 de maio de 2003) foi um jurista, sociólogo, historiador, cientista político e escritor brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de 1977 a 1979.

    12 Livros
    26 Seguidores

    Raymundo Faoro