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    Zicartola -

    Maurício Barros de Castro

    Relume Dumará
    2004
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-10: 8573163682
    Português Brasileiro
    4.4
    7 avaliações
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    Favoritos1Desejados13Avaliaram7

    Lugar mítico do samba carioca, o Zicartola, funcionou apenas por dois anos. No entanto, marcou o resgate de grandes sambistas - completamente esquecidos - como Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Zé Keti entre outros, e o surgimento de novos talentos, como Paulinho da Viola.Além do mais, a casa era de Cartola e D.Zica.Um livro fundamental sobre o Rio e o samba carioca. O livro é resultado da tese de mestrado em Memória Social do jornalista Maurício Barros de Castro, que entrevistou alguns de seus mais importantes frequentadores, como Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Sérgio Cabral, Elton Medeiros, Nelson Sargento e Carlos Lyra.

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    Maria Inês Carreira picture
    Maria Inês Carreira19/02/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Crítica: ‘Zicartola’, de Maurício Barros de Castro

    Cartola não foi só um dos maiores compositores na história da Música Popular Brasileira. O sambista foi também empreendedor de um dos palcos mais importantes dessa narrativa, mesmo sem querer – Zicartola tornou-se um importante botequim da Rua da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, que funcionou apenas dois anos, entre 1963 e 65, tempo suficiente para merecer um número da coleção idealizada pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e produzida pela Relume-Dumará Editores – Arenas do Rio, da autoria do historiador Maurício Barros de Castro. Recentemente a obra ganhou re-edição ampliada em 2013 (Azougue Editorial), com novas entrevistas, que eu não cheguei a ler (ainda!). De toda a forma, quem decidir iniciar a leitura do livro, não ficará apenas a conhecer o restaurante que Cartola acabou abrindo com Dona Zica, sua companheira (virou esposa em cerimônia comemorada no bar) e exímia cozinheira. Trata-se também de um agradável passeio por parte importante da história e das estórias da MPB, em especial do samba carioca. Num momento em que a bossa nova ganhava destaque no cenário musical brasileiro, com jovens músicos da classe média da Zona Sul carioca, aquele samba do morro que tanto sucesso fizera algumas décadas antes caía agora no esquecimento, junto de seus personagens principais, embora continuassem a ser inspiração para os mais novos – como nos revela a obra, sublinhando a presença de Carlos Lyra no Zicartola e o interesse que tinha pelos compositores populares, em especial por Zé Keti. Depois de décadas afastado da ribalta, esquecido do público, dado praticamente como morto, Cartola é reconhecido pelo jornalista Sergio Porto em 1956, enquanto lavava carros em Ipanema, em situação precária, já morando no morro da Mangueira. Esse feliz encontro marca o início de uma nova fase da vida do sambista injustamente abandonado por décadas, ao lado de sua companheira Zica, amiga de infância, que merece um holofote tão intenso quanto o seu. Sem tirar mérito algum ao nosso querido poeta, a história dele se assemelha à de tantas outras da MPB, em que mulheres fortes e guerreiras (algumas delas musicistas e cantoras) se eternizaram como coadjuvantes, quando deveriam ser lembradas e celebradas como protagonistas. Poupo o leitor dessa discussão difícil, em que precisaríamos rever a fundo os papéis de gênero incrustados na História da cultura popular e nos afastaríamos do objeto de análise deste texto. Importa que fiquei especialmente tocada pelo papel dessa incrível Mulher na criação do Zicartola e, por consequência, na trajetória da música brasileira do século XX. Cozinheira renomada, era muitas vezes contratada para fazer almoços importantes, num dos quais conheceu Mario Saladini, diretor do departamento de turismo da Prefeitura, que atendeu a seus pedidos e lhe cedeu um casarão na Rua dos Andradas, que foi também a primeira sede da Associação das Escolas de Samba. Aquela localização era mais estratégica para Zica, que vendia quentinhas aos cobradores de ônibus da Praça Mauá. Em troca, Cartola ficaria zelador da sede, onde acabou por receber vários intelectuais e admiradores antigos que se re-aproximavam dele, agora que o sabiam vivo. E quem dava conta dos quitutes que embalavam as famosas reuniões do casarão da Rua dos Andradas? Pergunta retórica. Nomes como Lúcio Rangel, Jota Efegê ou Lamartine Babo eram presenças assíduas e a dificuldade para achar cerveja depois das oito da noite naquela região do Centro fez nascer a ideia coletiva de achar um lugar onde pudessem abrir e financiar uma pequena pensão. Zica cozinharia e haveria uma geladeira sempre cheia para abastecer os longos convívios daquele grupo de intelectuais e jovens empresários, próximos de Cartola. Dona Zica ficou animada com a sugestão de abrir um negócio com aquela rapaziada e procurou um lugar. A Rua da Carioca foi o cenário escolhido para dar à luz o Zicartola, casa de samba emblemática, que reuniu gerações da música, a Zona Sul à Zona Norte do Rio. Estes encontros e episódios profícuos estão descritos na obra de Maurício Barros de Castro com destreza de bom pesquisador, depoimentos sensíveis, memórias curiosas e verdadeira sintonia com a pena do autor, que transforma os fatos históricos recolhidos em narrativa envolvente e nos transporta com talento à primeira metade do século XX do Rio de Janeiro e da história da música brasileira, com enfoque nesse momento imediatamente anterior e posterior ao golpe militar de 64. Original escrito no site Boletim Leituras.

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    Maurício Barros de Castro

    Maurício Barros de Castro nasceu em 1973, em Niterói (RJ), e vive no Rio de Janeiro. É Doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e desenvolve a pesquisa de pós-doutorado “Memória do Projeto Kalunga: música popular e construção de identidades entre Rio de Janeiro e Luanda” (UERJ/FAPERJ). Em 2011, ganhou o Prêmio Abril de Jornalismo, categoria cultura, com o artigo sobre o sociólogo Gilberto Freyre, publicado na revista National Geographic Brasil.

    1 Livro
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    Rio de Janeiro, Brasil

    Maurício Barros de Castro